2026 e o desafio democrático

Costumo escrever semanalmente sobre Amazônia, desenvolvimento, infraestrutura, políticas públicas, inovação tecnológica e transportes. Obrigado aos editores por este espaço! Todavia, quanto mais leio e milito pelo que acredito, pelo que penso e pelo resultado de pesquisas primárias minhas e de grupos de pesquisa que participo, mais me dou conta que 2026 teremos um desafio social que é maior: a manutenção da democracia brasileira.

O mundo está em guerras frias e guerras quentes, guerras não declaradas, guerras visíveis e outras tantas invisíveis. Todavia, a principal batalha que parece que teremos no ano que começará em instantes é uma batalha pela mente, pelos votos e pelas opiniões, onde estará em jogo liberdades, conquistas, direitos, deveres em um mundo pouco regulado, mediado por empresas.

desafio democrático
(Reprodução/ Internet)

O crescente papel da Inteligência Artificial como um “oráculo pré-iluminista”, que não é questionável, opaco, que nem sabemos com que valores foi programado, mediado por mapas que são feitos por grandes empresas, com suas regras próprias de toponímia, em um trânsito nas cidades recheados de trabalhadores de aplicativos que seguem regras próprias e fora das mediações trabalhistas, que desrespeitam as leis básicas e a mínima humanidade no trânsito.

Precisaremos de muitas pesquisas como as de Felipe Nunes (“Brasil no Espelho”, da Globo Livros), necessitaremos compreender as “Guerras do Metais Raros” (de Guillaume Pitron, editado pela portuguesa Livros Zigurate), precisamos, de alguma forma, compreender o que pensam as elites econômicas do Brasil (“Coisa de Rico”, Michel Alcoforado, editado pela Todavia). Nossos ricos não se acham ricos, como constatado pelo antropólogo. Parece-me que nossas elites também não se acham elites. 

Aliás, segundo o Giuliano da Empoli, agora é a “Hora dos Predadores” (editado pela Vestígio Editora). Nosso momento é de big-techs querendo mais e mais poder, capitalistas que não empreendem e apenas giram na ciranda financeira e se acham o máximo, subempregados que se acham empreendedores e influenciadores digitais que fazem política, mas só querem dinheiro e políticos que ainda não se adaptaram à linguagem contemporânea. Será um ano difícil para os idealistas e para os jornalistas que não queiram estudar a complexidade de mundo e ir além do próximo “like”.

Como um texto de prelúdio de 2026, acabei colocando uma lista de livros que não entram nas minhas aulas, pois servem apenas para tentar viver com alguma sanidade e compreender o que não é dito no cotidiano midiático.

Se lemos cada vez menos, se usamos, mais e mais, os meios mediados por empresas de tecnologias, como religiões, seremos mais e mais manipulados contra nosso próprio interesse. Em minha visão este é o grande desafio do próximo ano: proteger a democracia, em todos os níveis eleitorais. Oxalá, o Deus de cada brasileiro nos ilumine nessa caminhada e nos votos.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Artigos Relacionados

Conheça a lenda da vitória-régia, símbolo da flora amazônica

Conheça a lenda da vitória-régia, narrativa amazônica que explica a origem de uma das plantas mais emblemáticas da floresta.

Onde está o carbono da Amazônia?

O carbono tem endereço: onde a Amazônia guarda o...