Zona Franca de Manaus: compromisso com o Brasil real


Ao longo de décadas de atuação na indústria do Amazonas, aprendi que a Zona Franca de Manaus não pode ser compreendida a partir de simplificações. Trata-se de um projeto de país, construído com esforço contínuo, resiliência e compromisso com o desenvolvimento equilibrado do Brasil, demonstrando a viabilidade 

Vi de perto momentos de expansão, mas também enfrentei períodos de incompreensão e ataques recorrentes ao modelo. Em muitos desses episódios, a crítica partia de uma leitura distante da realidade amazônica, incapaz de perceber que aqui se estruturou uma das mais bem-sucedidas políticas de desenvolvimento regional do país.

A Zona Franca não é apenas um polo industrial. Ela representa uma estratégia concreta de ocupação econômica sustentável, que preserva a floresta ao mesmo tempo em que gera emprego, renda e arrecadação.

Evoluir para permanecer relevante

Defender esse modelo nunca significou preservar o passado. Ao contrário, sempre entendi que sua força depende da capacidade de evoluir. Por isso, ao longo dos anos, insisti na necessidade de diversificação da base produtiva, no adensamento das cadeias industriais e na incorporação de inovação como elemento estruturante.

Hoje, essa agenda se amplia. A discussão global sobre clima, transição energética e responsabilidade socioambiental reposiciona a Amazônia no centro das decisões estratégicas.

Um novo padrão de presença institucional

Há momentos em que a história institucional registra inflexões importantes. Vivemos um desses momentos recentemente.

A presença de um ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, como jamais se observou na história da Zona Franca de Manaus, com interlocução direta e atuação colaborativa no cotidiano da Suframa, criou um ambiente de coordenação e confiança institucional que impactou diretamente o desempenho da equipe responsável pelo Polo Industrial de Manaus.

Geraldo Alckmin Suframa foto Cadu Gomes VPR
Foto: Cadu Gomes

Esse alinhamento permitiu ganhos de eficiência, maior previsibilidade e, como consequência, contribuiu para um ciclo de crescimento extraordinário do polo.

Não se trata apenas de presença formal, mas de engajamento efetivo na construção de soluções.

Superar narrativas e afirmar resultados

Esse contexto reforça a necessidade de superar uma leitura equivocada ainda presente no debate nacional. A ideia de que a Zona Franca representa um custo para o país não resiste à análise dos dados.

O modelo gera arrecadação expressiva, existe para reduzir desigualdades regionais e contribuir para a estabilidade social de uma área estratégica do território brasileiro.

O que está em jogo já não é apenas um arranjo econômico regional. Trata-se da capacidade de o Brasil demonstrar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos.

O futuro exige integração e visão estratégica

Tenho convicção de que o futuro da Zona Franca passa por sua integração a uma agenda mais ampla, que inclua bioeconomia, tecnologia, indústria de baixo carbono e novas cadeias de valor baseadas no conhecimento da floresta.

Esse movimento já está em curso e precisa ser fortalecido com inteligência institucional, segurança jurídica e visão de longo prazo.

Ao longo da minha trajetória, procurei atuar com um princípio simples: dialogar sempre, mas sem abrir mão do essencial.

E o essencial é reconhecer que o desenvolvimento da Amazônia interessa ao Brasil como um todo. A Zona Franca de Manaus não é um privilégio regional. É uma solução nacional que precisa ser compreendida, valorizada e continuamente aprimorada.

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

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