Visibilidade e diversidade nordestina cai na rede para o mundo

Coleções por estados contam parte da história e peculiaridades locais para os visitantes que acessarem o Museu Virtual do Homem do Nordeste, disponível no Google Arts & Culture

Parte do acervo do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), do Recife, agora está disponível no Google Arts & Culture, com mais de 565 itens e, também, uma exposição do Mestre Vitalino (1909-1963), montada especialmente para a estreia virtual.

Pertencente à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o Muhne tem mais de 16 mil peças em seu acervo, que revela a pluralidade das culturas negras, indígenas e brancas desde as nossas origens até os diferentes desdobramentos e misturas. As coleções são caracterizadas pela variedade, com objetos provenientes das casas das famílias dos senhores de engenhos, até objetos simples, de uso cotidiano das famílias pobres. O museu foi idealizado pelo sociólogo-antropólogo Gilberto Freyre.

Agora abrigando uma parte do acervo do Muhne, a plataforma Google Arts & Culture funciona desde 2011, com o objetivo de aumentar a presença online de organizações culturais e criar ferramentas e tecnologias gratuitas para mostrar e compartilhar histórias de arte e cultura com o público on-line. A plataforma é imersiva e possibilita explorar arte, história e maravilhas culturais ao redor do mundo, desde as pinturas no quarto do Van Gogh, até a cela de prisão de Nelson Mandela. Para chegar ao Muhne pelo Google Arts & Culture, basta ir ao endereço artsandculture.google.com e procurar pelo Museu do Homem do Nordeste.

Segundo Antônio Campos, presidente da Fundaj, o Muhne é uma instituição criada para investigar e dar visibilidade às diversas identidades que integram o Nordeste do Brasil. “São nove estados marcados pela pluralidade cultural e que agora podem ser visualizados a partir de um recorte ainda simbólico do nosso acervo. Reverbera um discurso cristalizado e o museu, agora presente no Google, pretende provocar o público e a contrapor o olhar de miséria que há muito imprimiram.”O Nordeste é Caatinga e Mata Atlântica, é tão originário quanto a Amazônia e, ainda assim, europeu”, define Campos.

A experiência virtual permite acessar as coleções por estados, da Bahia ao Maranhão, ou material utilizado para a confecção das peças, como borracha, cera, couro, gesso, porcelana e tecido. São objetos como a calunga Dona Joventina, do Maracatu Estrela Brilhante. Talhada em madeira há 112 anos pelas mãos de um santeiro desconhecido, a história da calunga é repleta de disputas, controvérsias e muito mistério. Há também uma coleção de cachaças com rótulos repletos de arte, mamulengos, rendas de bilro, arupembas, foices, estrovengas, joalherias e instrumentos musicais.

Mestre Vitalino

A exposição de estreia apresenta um recorte da Coleção Vitalino, do Muhne. Peças do artista brasileiro evidenciam a cultura do Nordeste do Brasil até meados do Século 20. Pernambucano de Caruaru, Vitalino Pereira dos Santos é um dos mais importantes artesãos do Brasil. O caruaruense também é conhecido por suas peças de cerâmica, que trazem figuras inspiradas nas crenças populares, nos rituais e no imaginário da população da região. São formas e cores por ele criadas que conferem materialidade ao espírito e à identidade cultural de parte substantiva do Brasil.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco.

Fonte: Correio Brasiliense

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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