Quase metade das usinas fotovoltaicas no Brasil foi construída com desmatamento

Pesquisa do MapBiomas aponta que o rápido avanço das usinas fotovoltaicas tem provocado o desmatamento de áreas de vegetação nativa em biomas como a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica.

Um levantamento do MapBiomas constatou que a rápida expansão das usinas fotovoltaicas no Brasil tem avançado sobre áreas de vegetação nativa, resultando no desmatamento de biomas como Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Imagens de satélite, coletadas entre 2016 e 2024, mostram que 44,5% da área atualmente ocupada pelas usinas de energia solar estava antes coberta por formações savânicas — vegetação típica da Caatinga e do Cerrado.

Imagem de usina fotovoltaica no semiárido paraíbano. Foto: Yasmin Formiga.
O rápido avanço das usinas fotovoltaicas tem provocado o desmatamento de formações savânicas, como as presentes na Caatinga, principal bioma afetado. Foto: Yasmin Formiga.

O dado indica desmatamento, já que o cálculo desconsidera instalações erguidas sobre pastagens, que representam 36,6% da ocupação total (12,9 mil hectares) e já estavam  desmatadas anteriormente.

No período analisado, o número de usinas saltou de 822 para 35.318. Ao todo, 15,7 mil hectares de vegetação natural foram suprimidos, sobretudo na Caatinga, mas também no Cerrado e em áreas da Mata Atlântica. Minas Gerais, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte concentram 74% da área mapeada com usinas solares, somando 25,9 mil hectares. Em seis dos 14 estados com essas estruturas, a perda de formações savânicas foi o impacto mais recorrente.

Embora em menor escala, cerca de 500 hectares de usinas foram instalados sobre formações florestais e campestres. Em 2024, a área total ocupada por centrais fotovoltaicas chegou a 35,3 mil hectares, conforme a definição da Aneel para empreendimentos de médio e grande porte. No país, 98 municípios possuem instalações fotovoltaicas, o equivalente a 2% do total. Jaíba (MG) é líder entre os municípios, com 2.840 hectares dedicados à atividade.

O estudo também analisou a perda de vegetação natural nas últimas quatro décadas e evidenciou que a expansão da energia solar, embora considerada uma fonte limpa, gera impactos graves quando ocorre sobre ecossistemas nativos.

Imagem de usina fotovoltaica, o avanço acelerado de usinas fotovoltaicas tem provocado o desmatamento de vegetações nativas. Foto: Divulgação/Eixos.
De 2016 a 2024, o número de usinas de energia solar no Brasil aumentou de 822 para 35.318. Foto: Divulgação/Eixos.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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