Turismo na Amazônia: O Elefante Branco da Economia Brasileira

“Governantes e empreendedores, vocês estão dormindo sobre um tesouro. O turismo na Amazônia pode ser o grande ativo econômico do futuro – e um futuro que está mais próximo do que imaginam. Enquanto a Zona Franca tem data para acabar, a floresta em pé pode ser um negócio eterno.”

O Brasil encerrou 2024 como o 50º destino turístico mais visitado do mundo. Atrás do Quirguistão. Atrás de países sem mar, sem floresta, sem rios caudalosos, sem a maior biodiversidade do planeta. Atrás até de países em guerra. Não é um erro de digitação. É um vexame.

A Amazônia, um dos ícones mais poderosos do imaginário humano, é diariamente destaque na mídia internacional. Mas por quê? Não é pelo turismo sustentável, não é pela experiência única de adentrar a última grande floresta tropical do planeta, nem pelo encontro com povos originários e culturas milenares. Aparecemos no noticiário pelo desmatamento, pelos garimpos ilegais, pela substituição de árvores centenárias por pasto para alimentar o mundo.

Governantes e empreendedores, vocês estão dormindo sobre um tesouro. O turismo na Amazônia pode ser o grande ativo econômico do futuro – e um futuro que está mais próximo do que imaginam. Enquanto a Zona Franca tem data para acabar, a floresta em pé pode ser um negócio eterno

Devastação de florestas pode comprometer rios voadores e funcionamento de hidrelétricas brasileiras

Diante disso, a pergunta que deveria assombrar qualquer gestor público e qualquer empresário minimamente atento:

Por que a Amazônia, com todo seu potencial, não é um motor do turismo global?

Uma Indústria Que Não Acontece

O turismo é uma indústria bilionária. A França, líder absoluta do setor, recebe mais de 80 milhões de visitantes por ano. A Tailândia, um país tropical sem uma fração da biodiversidade amazônica, recebe 40 milhões. O Brasil inteiro? Mal chega a 6 milhões. A Amazônia? É quase um ponto cego nesse mapa.

O que deu errado? De quem é a culpa? O que falta para transformar essa potência em uma economia sustentável e geradora de riqueza?

Governantes e empreendedores, vocês estão dormindo sobre um tesouro. O turismo na Amazônia pode ser o grande ativo econômico do futuro – e um futuro que está mais próximo do que imaginam. Enquanto a Zona Franca tem data para acabar, a floresta em pé pode ser um negócio eterno
foto: Gisele Alfaia

O que falta, antes de tudo, é coragem. Coragem para romper o ciclo da inércia, que há décadas empurra a Amazônia para uma economia baseada em incentivos fiscais. A Zona Franca de Manaus sustenta a economia do Amazonas hoje, mas esse modelo tem prazo de validade: acaba em 2073. Logo ali. Enquanto a floresta continua sendo derrubada para dar lugar a atividades predatórias, o turismo – uma das formas mais inteligentes de monetizar a floresta em pé – segue abandonado.

Oportunidade Jogada Fora

A Amazônia não precisa de mais um projeto grandioso que nunca sai do papel. Precisa de investimento real. Precisa de infraestrutura básica, de segurança para turistas, de políticas públicas que incentivem o ecoturismo e o turismo de experiência.

Quantos empresários já desistiram de abrir pousadas sustentáveis porque a burocracia é um pesadelo?

Quantos empreendedores do setor turístico perdem clientes porque o acesso a destinos incríveis é inviável?

Quantos guias, barqueiros e pequenos operadores são ignorados por um modelo econômico que só pensa em incentivos fiscais para grandes indústrias?

O turista que quer conhecer a Amazônia hoje enfrenta desafios absurdos: preços exorbitantes, serviços precários, falta de conectividade e insegurança. Enquanto isso, a Costa Rica – um país do tamanho de um estado brasileiro – fatura bilhões com ecoturismo bem estruturado.

Não é falta de interesse. O mundo quer conhecer a Amazônia. O problema é que não deixamos.

O Chamado para a Ação

Governantes e empreendedores, vocês estão dormindo sobre um tesouro. O turismo na Amazônia pode ser o grande ativo econômico do futuro – e um futuro que está mais próximo do que imaginam. Enquanto a Zona Franca tem data para acabar, a floresta em pé pode ser um negócio eterno.

Mas isso só vai acontecer se houver decisão política e iniciativa empresarial. Se formos além da retórica e começarmos a criar incentivos reais para transformar a Amazônia em um destino turístico de alto nível.

E aqui vai um alerta para os que pensam pequeno e os que governam apenas para os próximos quatro anos:

O turista não vem para ver soja. O turista não viaja para conhecer pasto. O turista não paga caro para ver destruição. Ele quer a floresta, a cultura, a história, a biodiversidade.

O mundo está esperando. O que vamos fazer?

Belmiro Vianez Filho
Belmiro Vianez Filho
Empresário do comércio, ex-presidente da ACA e colunista do portal BrasilAmazôniaAgora e Jornal do Commercio.

Artigos Relacionados

Trump demite Conselho Nacional de Ciência dos Estados Unidos sem explicação

Trump promove demissão em massa no Conselho Nacional de Ciência dos Estados Unidos, gerando alerta sobre impactos na ciência e governança.

Guerra no Irã e alta do petróleo disparam vendas de veículos elétricos na Europa

Veículos elétricos na Europa disparam com alta do petróleo e guerra no Irã, refletindo mudanças no comportamento do consumidor.

Gelo da Antártica revela mistério do clima da Terra de 3 milhões de anos

Estudo com gelo da Antártica revela como o clima da Terra mudou há 3 milhões de anos e aponta fatores além dos gases de efeito estufa.