A poucos dias de assumir um novo mandato como presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Yara Amazônia Lins fala com a segurança de quem dedicou meio século de vida ao serviço público. Elegante no gesto e firme na palavra, ela combina rigor técnico, sensibilidade social e uma visão de futuro ancorada na dignidade humana. Nesta entrevista exclusiva ao portal Brasil Amazônia Agora, Yara delineia os desafios que pretende enfrentar, as prioridades que assume e o papel que enxerga para o Tribunal na vida do Amazonas.
“O fio condutor é a confiança do povo”
1. Presidente, ao iniciar um novo ciclo, qual é a essência da visão que a senhora quer consolidar no Tribunal?
Yara – O fio condutor é a confiança do cidadão. Um Tribunal só é forte quando a sociedade sente que seus direitos estão resguardados. Minha meta é consolidar um TCE moderno, acessível, ágil e profundamente comprometido com quem mais precisa — um Tribunal que fiscaliza, orienta e cuida.
“Emendas precisam virar escola funcionando, hospital equipado, vida transformada”
2. O TCE-AM agora tem a missão de auditar as emendas parlamentares destinadas ao Amazonas. Como transformar esse encargo em impacto social?
Yara – Com transparência absoluta. Cada emenda será acompanhada desde a origem até o resultado final. Não basta verificar números — é preciso garantir que elas cheguem onde devem chegar. Estou falando de escolas abertas, hospitais equipados, estradas entregues. O Amazonas precisa de entregas, não apenas de anúncios.
“A distância não pode ser desculpa para a ausência do Estado”
3. Como acelerar a transformação dos indicadores do interior?
Yara – Com diagnóstico preciso, presença institucional e cobrança efetiva. Nós vamos onde o cidadão está. O recurso público não pode morrer no papel. Ele precisa virar obra concluída, atendimento digno, serviço funcionando.
“Dignidade humana não é discurso — é critério de decisão”
4. Como esse princípio orienta o Tribunal?
Yara – Um hospital fechado é uma vida em risco. Uma escola precária é um futuro interrompido. Uma obra paralisada é uma promessa traída. Colocar a dignidade humana no centro significa olhar cada auditoria pelo impacto na vida real das pessoas.
“Tecnologia acelera, mas ética dá direção”
5. Quais as próximas fronteiras tecnológicas do TCE-AM?
Yara – Vamos avançar com inteligência artificial, painéis de dados em tempo quase real e plataformas de participação cidadã. A tecnologia nos dá velocidade, mas é a ética que define o rumo. O futuro será de ambos.
“Escutar é estar presente”
6. Como aproximar ainda mais o Tribunal da sociedade?
Yara – Com escuta ativa e presença. O Tribunal não pode esperar que o cidadão venha até ele; o Tribunal deve ir até o cidadão. Escutamos ribeirinhos, lideranças indígenas, moradores de periferias. E cada escuta tem se convertido em ação.
“Amazônia vive, diariamente, a emergência climática”
7. Qual o papel do Tribunal na agenda ambiental?
Yara – Ser guardião da probidade ambiental. Nós fiscalizamos se as políticas públicas ambientais têm impacto real. Proteger a floresta é proteger as pessoas — especialmente as mais vulneráveis aos extremos climáticos.
“Nenhuma tecnologia substitui uma equipe unida”

Yara é conselheira e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). Pós-graduada em Ciências Contábeis pela UFAM e reúne um portfólio robusto em Espírito Publico nos seus mais de 40 anos de serviços prestados ao TCE-AM. Em seu atual mandato tem direcionado esforços, dentro das competências do órgão e da função que ocupa, para maiores realizações de valorização da Amazônia e da preservação do Meio Ambiente.
8. Como ampliar políticas de valorização interna?
Yara – Cuidando das pessoas. Formação permanente, acolhimento emocional, respeito e ambiente saudável. Servidor motivado entrega uma fiscalização mais humanizada e mais eficiente.
“A Ouvidoria da Mulher é um espaço de coragem”
9. Como expandir esse trabalho?
Yara – A Ouvidoria da Mulher continuará sendo fortalecida. Ela é um espaço de proteção, sigilo e dignidade. Queremos que toda mulher saiba que existe um lugar seguro para ser ouvida e orientada.
“Ciência e controle público formam uma aliança poderosa”
10. Como parcerias com universidades elevam a qualidade das auditorias?
Yara – Elas ampliam nossa capacidade técnica e permitem que decisões sejam tomadas com evidências sólidas. A ciência ilumina o caminho e aprimora o resultado.
“Cada real precisa virar benefício social”
11. Como garantir que os recursos oriundos da indústria incentivada se convertam em resultados para o interior?
Yara – Fiscalizando com rigor e cobrando eficiência. A indústria financia fundos essenciais. É nosso dever garantir que esses recursos resultem em serviços dignos e oportunidades reais.
“Quando os poderes caminham juntos, quem ganha é o cidadão”
12. Como aprofundar a cooperação entre TCE, MP, Judiciário e Legislativo?
Yara – Com agendas permanentes, troca de diagnósticos e ações coordenadas. A cooperação não elimina independências — fortalece resultados.
“Fiscalizar a Amazônia exige inteligência territorial”
13. Como enfrentar as barreiras do território?
Yara – Com georreferenciamento, IA, visitas móveis e articulação comunitária. A Amazônia exige soluções amazônicas. Nós adaptamos a fiscalização ao território — não o contrário.
“Persisti quando não havia espaço para mulheres. E sigo acreditando na força da integridade”
14. Que lições pessoais a acompanham neste novo mandato?
Yara – Disciplina, escuta e fé na responsabilidade pública. Enfrentei barreiras, resisti ao preconceito e trabalhei com serenidade. Tudo isso me acompanha e me fortalece.
“O Tribunal estará onde o cidadão estiver”
15. Qual mensagem final deixa ao povo do Amazonas?
Yara – Que o Tribunal será presença, vigilância e cuidado. Fiscalizaremos com rigor, mas também com humanidade. O Amazonas merece políticas públicas eficientes e dignas — e essa será a bandeira permanente do TCE-AM.
