Startups amazônicas lançam primeira tokenização da castanha no mercado financeiro

Com apoio do Idesam, startups amazônicas usam blockchain para tokenizar castanha, gerar renda para famílias extrativistas e valorizar a floresta em pé. 

Duas startups amazônicas uniram inovação tecnológica e sustentabilidade para transformar o modo de investir na floresta. A ForestiFi, fintech de impacto socioambiental, e a Zeno Nativo, produtora de alimentos da sociobiodiversidade, lançaram a primeira operação de tokenização da castanha-da-Amazônia, que converte o fruto em ativo digital negociado no mercado financeiro. O processo garante rastreamento, transparência e liquidez, além de gerar retorno econômico para comunidades extrativistas.

Castanha-do-pará em uma vasilha de madeira, símbolo do projeto apoiado pelo Idesam.
Castanha-da-Amazônia, fruto nativo que se tornou o primeiro produto tokenizado por startups amazônicas. Foto: Divulgação/Zeno Nativo

O projeto tokenizou 1.850 quilos de castanha coletados por famílias do Rio Acará (PA), resultando na emissão de 4.588 tokens vendidos a R$ 25 cada, totalizando R$ 114,7 mil arrecadados com a participação de 82 investidores. O resgate está previsto para setembro, com retorno de R$ 26,69 por token, o que representa uma valorização de 6,76% em apenas cinco meses. O valor retornará diretamente para 50 famílias extrativistas, reforçando a importância da floresta em pé como fonte de renda e conservação.

A iniciativa integra o portfólio da Amaz Aceleradora de Impacto, programa do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que apoia negócios capazes de gerar soluções para os desafios socioambientais da região. Ao fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e criar alternativas à exploração predatória, o Idesam amplia impactos positivos tanto para a biodiversidade quanto para as comunidades locais.

A Zeno Nativo já comercializa produtos nativos com certificação orgânica em mercados nacional e internacional, enquanto a ForestiFi foi reconhecida pela campanha Change 100 como uma das startups mais inovadoras em sustentabilidade no mundo. Com o uso da tecnologia blockchain, a fintech amplia o acesso de pequenos produtores a investimentos e fomenta modelos econômicos que conciliam lucro com preservação ambiental.

Embalagens de produtos da Zeno Nativo feitos com castanha-da-Amazônia certificada.
Foto: Divulgação/Zeno Nativo

Combinando inovação financeira e valorização da sociobiodiversidade, a tokenização da castanha se apresenta como uma nova forma de investimento sustentável, capaz de unir retorno econômico, conservação ambiental e desenvolvimento comunitário — alinhada ao propósito do Idesam de promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Extrativistas do Pará selecionando castanha-da-Amazônia para comercialização sustentável.
Foto: Divulgação/Zeno Nativo.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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