Térmicas caras jogam pressão adicional sobre geração hidrelétrica

Desde o último dia 1º, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) acionou a bandeira vermelha patamar 2 no sistema tarifário, em virtude da diminuição dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas no Sudeste e Sul do Brasil. Essa situação é ainda mais grave quando consideramos que a demanda atual está menor por conta dos efeitos da crise econômica causada pela pandemia. Logo, em um cenário de normalidade, as coisas estariam ainda mais complicadas para o setor elétrico nacional.

No Valor, Roberto Pereira D’Araújo fez uma reflexão interessante. Ele concorda que as chuvas abaixo da média este ano no centro-sul do país levaram ao aperto elétrico atual. No entanto, ele entende que o problema é mais estrutural: pela falta de planejamento na época das privatizações na década de 1990, tivemos o apagão de 2001 e a construção a toque de caixa de térmicas a óleo e gás. Depois, no começo da década passada, mudanças na regra do sistema elétrico fez com que novas térmicas voltassem a ser competitivas em leilões. Só que a energia que geram é mais cara do que a das hidrelétricas e eólicas. O sistema ganhou as bandeiras tarifárias para remunerar as térmicas quando fossem acionadas. D’Araújo argumenta que o planejamento malfeito dos investimentos recentes nessas fontes fósseis acabou deixando no colo do sistema elétrico nacional uma energia muito mais cara, o que acabou sobrecarregando a geração hidrelétrica.

Em tempo: “Acomodado na falsa percepção de abundante oferta de energia elétrica, o Brasil patina em eficiência energética”, escreveu Kamyla Borges (Instituto Clima e Sociedade) na Folha. Ela analisou dados recentes da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) que mostram como o país ainda deixa a desejar nessa questão, tendo sido a única economia do G20 cujo consumo de energia cresce mais que a produção econômica. Nossas geladeiras e outros aparelhos elétricos estão defasados em relação aos avanços tecnológicos, dentre outras porque os sinais econômicos são de deixar como está. O resultado disso é sentido por todos: a conta de luz fica mais cara e a perspectiva é que ela continue assim, prejudicando renda, empregos e inovações.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Governo vê risco ambiental em mudanças no Código Florestal e avalia acionar STF

Mudanças no Código Florestal aprovadas pela Câmara acendem alerta sobre riscos à biodiversidade e governo considera levar caso ao STF.

O que sobra da produção de queijo e tofu pode ajudar a combater a crise climática

Pesquisa transforma sobras da indústria alimentícia em esferas biodegradáveis...

Temporal mata 7% dos orangotangos mais raros do mundo em Sumatra

Estudo alerta que os orangotangos mais raros do mundo perderam parte da população após chuvas extremas e deslizamentos na Indonésia.

Futebol, miragens e a alma brasileira

“O país que transformou um esporte em identidade nacional...