Tartaruga resgatada é retrato do descaso humano com Oceano: tinha o estômago cheio de plástico

Por Suzana Camargo

Recentemente uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) foi resgatada perto da Beira Mar de São José, na divisa de Florianópolis, em Santa Catarina. O animal, que estava bastante debilitado, foi levado pela organização R3 Animal para a sede do Projeto Tamar na região.

A tartaruga, um indivíduo juvenil pesando 5,3 kg, está respondendo bem ao tratamento. De acordo com a veterinária do Tamar, Joyce Bitencourt, ela tem um lesão linear na base da nadadeira anterior direita, compatível com ferimento causado por rede de emalhe.

Nos exames iniciais, a tartaruga se mostrou deprimida, porém reativa aos estímulos. “Mas no dia seguinte já apresentava melhora da consciência e no teste em recinto com água salgada apresentou boa postura, com movimentos natatórios coordenados e reflexo respiratório adequado”, diz Joyce.

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A tartaruga-verde resgatada

Todavia, o que chamou muito a atenção dos profissionais foi a quantidade de resíduos plásticos expelida pela tartaruga. Diversas vezes, por vários dias seguidos, a água do recinto onde ela foi colocada ficou suja de lixo: fios de nylon, barbantes e até uma parte plástica de uma tampa de garrafa.

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Lixo que estava no estômago da tartaruga

O que acontece também é que muitas espécies de tartarugas se alimentam de de águas-vivas. Em um planeta em que os oceanos contêm 300 milhões de toneladas de plástico, ou mais precisamente, 5 trilhões de pequenas partículas plásticas boiando pela água, fica óbvio como estes animais confundem plástico por água-viva.

“O plástico pode impactar a saúde de diversas maneiras, em alguns casos a tartaruga não consegue eliminá-los causando constipação, pode gerar inflamações e infecções no trato gastrointestinal e em alguns casos úlceras – os pedaços de plástico perfuram estômago e intestinos”, explica Daniel Rogério, gestor do Centro de Visitantes do Projeto Tamar em Florianópolis.

A expectativa agora é que, em breve, o animal possa ser devolvido à natureza.

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Água cheia de resíduos plásticos expelidos pelo animal

Em novembro do ano passado, a R3 Animal também resgatou um lobo-marinho que tinha resíduos plásticos no estômago (após um mês e meio de reabilitação ele foi devolvido ao mar: leia mais aqui).

Casos como esses ocorridos em Santa Catarina – dois entre os milhões que acontecem todo os dias no planeta -, são mais um alerta de como são urgentes ações para proteger nossos oceanos e reduzir a produção da indústria de plástico.

Texto publicado originalmente em Conexão Planeta 13/06/2022

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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