Seis décadas depois, Rio Madeira enfrenta seu pior nível de água

A situação do Rio Madeira, uma das principais artérias fluviais da Amazônia, atingiu um nível alarmante. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou oficialmente, nesta terça-feira (10), a situação crítica de escassez de recursos hídricos na região, validando preocupações recentes sobre os impactos ambientais e sociais na região Norte.

A portaria que oficializa a situação foi publicada no Diário Oficial da União e estende a vigência desta medida até 30 de novembro de 2023.

Durante a 26ª Reunião Deliberativa Extraordinária da ANA, ocorrida na segunda-feira (9), foi ratificada a orientação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Este Comitê já havia expressado sua preocupação em 4 de outubro, ao “reconhecer a severidade da crise hidrológica de seca na Região Norte do país, observada em 2023, especialmente no que tange à Bacia do Rio Madeira.” Este quadro compromete direta e gravemente o atendimento aos estados do Acre e Rondônia.

Dados recentes coletados pela ANA ilustram a gravidade do cenário. As três principais estações fluviométricas do Rio Madeira operam atualmente abaixo de 95% das medições de sua capacidade. Na cidade de Porto Velho, Rondônia, o nível do rio registrou o menor nível em mais de meio século, exatamente 56 anos de medições.

Os registros também indicam que a vazão da Bacia do Rio Madeira apresenta fluxos muito menores do que o esperado para esta época do ano. E, para agravar o cenário, os mapas mensais do Monitor de Secas mostram uma acentuada escassez hídrica em várias localidades, abrangendo cidades que são alimentadas pelos afluentes e subafluentes do Madeira.

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(Foto: Antônio Lima/SECOM)

A situação é ainda mais alarmante quando se considera a importância vital do Rio Madeira. Ele não só serve como fonte de subsistência para populações ribeirinhas, mas também é parte essencial da hidrovia Corredor Logístico Norte, representando o segundo maior fluxo de passageiros e transporte de produtos na região.

À medida que a região enfrenta essa crise sem precedentes, a resposta das autoridades e ações concretas para mitigar os efeitos dessa escassez tornam-se urgentes para proteger tanto o ecossistema quanto as populações dependentes do Rio Madeira.

Usinas hidrelétricas suspendem atividades devido à grave crise hídrica no Rio Madeira

A situação do Rio Madeira se agrava. Além da preocupante diminuição de seus níveis, que já haviam levado a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a declarar uma situação crítica de escassez de recursos hídricos, agora observa-se um novo e impactante desdobramento: a suspensão das atividades das usinas hidrelétricas localizadas no rio.

As Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que desempenham um papel crucial na geração de energia para a região, estão sentindo os efeitos da severa seca. Jirau, que possui uma capacidade instalada de 3.750 Megawatts (MW) e é conhecida por sua resiliência às condições de seca, e Santo Antônio, com uma capacidade de 3.568 MW, capaz de abastecer aproximadamente 45 milhões de habitantes, estão sendo diretamente afetadas. De fato, a Usina de Santo Antônio teve suas atividades completamente suspensas desde o início de outubro.

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Usina de Santo Antônio. Foto: Santo Antônio Energia/

O acompanhamento da crise no Rio Madeira é responsabilidade do Grupo Técnico de Acompanhamento do Plano de Contingência para Enfrentamento dos Impactos Esperados do Fenômeno El Niño sobre os Recursos Hídricos na Bacia do Rio Amazonas (GTA). Este grupo, criado pela ANA, trabalha em colaboração com órgãos gestores de recursos hídricos dos estados que são atendidos pelos rios da bacia.

Conforme estabelecido na portaria publicada, durante esse período crítico de escassez, medidas específicas de prevenção e mitigação deverão ser aplicadas para abordar os impactos sobre o uso das águas. Além disso, a possível extensão da declaração de escassez será constantemente reavaliada com base nas variações nos níveis de água.

Esta situação reforça a necessidade urgente de políticas sustentáveis e medidas preventivas robustas para enfrentar e mitigar os efeitos devastadores das mudanças climáticas, que, como podemos observar, têm implicações diretas na vida e bem-estar de milhões de brasileiros.

*Com informações Agência Brasil

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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