Ricardo Salles não percebeu ainda que saiu dos gabinetes de Brasília 

Ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles demonstrou que perde votos, mas não consegue levar desaforo para casa

“Isso deve ser obra da esquerda, comunista, marronzista e baderneira”, diria Odorico Paraguçu, o político fictício que representou muito bem o tradicional modo brasileiro de seguir nas eleições na novela “O Bem Amado”, exibida em 1973, pela Rede Globo.

Em plena largada de campanha, Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente e atual candidato a deputado federal pelo partido liberal (PL/SP), já encenou em Franca, no interior de São Paulo, uma cena digna de Sucupira, a cidade de Odorico.

Porém, ao ouvir palavras como “Ecocída” e “Você é uma vergonha para o país.”, o ex-ministro, foi muito menos polido do que a ficção.

Assista ao vídeo:

Desfazendo seu tradicional sorriso bem alinhado, Salles retrucou ao também candidato do PSOL, Guilherme Cortez, que busca uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. “Bando de vagabundos, ladrões, idiotas e cretinos. Vai se catar”.

A troca de farpas aconteceu no sábado (20/8) durante o ápice do lançamento de uma campanha eleitoral, marcado pela prática (não muito ecológica) de distribuir santinhos. 

Ricardo Salles
Ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sentado em tora de madeira apreendida em Itaituba, Pará – foto: Divulgação MMA

De papeletas em mãos, segurando uma bandeira nacional e vestindo uma camiseta verde e amarela, Salles provou na pele que a política real é bem diferente da encenada sob a proteção dos gabinetes de Brasília, onde está acostumado a habitar em uma forma Nutella de politicar.

Para ser candidato raiz é preciso abraçar o povo, comer pastel de rua, beijar (as pobres) criancinhas e se expor a um eleitorado ansioso para viver o único período do ano no qual é possível dizer esculachos aos poderosos ao vivo.

Pelo tom da descompostura Salles também parece não ter entendido ainda o significado do termo “pedir votos”. Algo que pode lhe custar muito caro.

Com processos correndo na Justiça do Pará, por ser acusado de exportar madeira ilegal da Amazônia, o ex-ministro esqueceu-se que não pode se dar ao luxo de perder essas eleições e ficar sem o cobiçado “foro privilegiado”.

Como diria Odorico, “vamos dar uma salva de palmas a esta figura trepidante e dinamitosa.”

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.