Reunião presencial da COP da Biodiversidade é adiada para abril de 2022

Por conta da crise de saúde que assola o mundo, a Conferência será realizada em duas fases, deixando a biodiversidade do planeta mais um ano sem acordo global

O secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) anunciou formalmente que a 15ª Conferência das Partes (COP-15), anteriormente prevista para outubro de 2021, na China, agora será realizada em duas fases. A primeira será de caráter online para os representantes fora da nação chinesa e continuará no período de outubro deste ano, nos dias 11 a 15; a segunda fase será presencial, contendo as principais negociações, e ficará para o primeiro semestre de 2022, nos dias 25 de abril a 8 de maio.

Já adiada duas vezes desde sua data original, prevista para ocorrer em outubro de 2020, o novo adiamento ocorreu devido à Covid-19. A reunião deve estabelecer novas metas para a biodiversidade do planeta para o período pós-2020.

Importância da conferência

O doutor Bráulio Ferreira de Souza Dias, ex-secretário executivo da CDB e professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), explica que a Conferência da CDB é de grande importância pois deverá, entre outras coisas, aprovar a nova Estratégia Global de Biodiversidade Pós-2020, incluindo objetos de longo prazo (para 2050) e de meio prazo (para 2030), bem como metas operacionais para 2030, indicadores para monitorar a implementação dos objetivos, além de meios e mecanismos para a devida implementação. “Desde janeiro de 2021 o mundo está sem uma estratégia global para coordenar e mobilizar ações em prol da biodiversidade nos 194 países membros (partes) da CDB e mais a União Europeia”, explica.

“Enquanto isso, seguimos perdendo biodiversidade em todo o mundo, inclusive no Brasil”, diz o ex-secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Esta nova estratégia global deve suceder a que foi aprovada em 2010, na COP-10, que estabeleceu as 20 Metas de Aichi, vigoraram entre janeiro de 2011 e dezembro de 2020 e não tiveram êxito. “O fracasso com a implementação das Metas de Aichi foi apenas parcial – em média cada país implementou um terço das metas, e alguns, como o Brasil, conseguiu implementar metade das metas”, explica Dias. Para o ex-secretário-executivo, há uma grande oportunidade de aproveitar com os erros e acertos das Metas de Aichi e adotar estratégias mais eficientes para o período após-2020, “desde que tenhamos meios de apoio à implementação mais robustos”, conclui.

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...