Quando a Era da Estupidez dará lugar à Era da Sensatez?

“Falta apenas colocar um pensamento sereno para modificar as atitudes, pois enquanto ficar um pensamento ensandecido, querendo apenas brigar e xingar, estaremos longe construir a união que levará ao fim da fase em que estamos, que é fruto de nossa sociedade. Chegou a hora de plantar novas árvores.”

Augusto César Barreto Rocha
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Augusto César Barreto Rocha é professor da UFAM

A vida é cíclica. Noite e dia. Vida e morte. Tudo é cíclico. O problema que nos aflige é o tamanho de cada ciclo e se conseguiremos sobreviver ao período de Estupidez que ora enfrentamos. Ou será que foi sempre assim e vivemos apenas em um crescente de tolice, só que agora mais percebido pelas redes sociais, maior atividade pública e política de todos nós? Antes, os debates eram fechados em salas e agora eles estão escancarados para o mundo ver as competências e as incompetências. Todos passam a ter parâmetros e possibilidades de análise, com frequente dificuldade de reconhecer as suas próprias incompetências.

Todos podem estar em alguma elite para chamar de sua, apenas para rotular o outro de ralé ou vice-versa, autodenominar-se ralé para falar mal das elites. No fim do dia, todos, sem exceção, seremos ralés em algo ou elite em outra coisa, seja a elite da estupidez ou da sensatez. A questão que me toca é que se os estúpidos forem mais eficientes em tomar conta, teremos um ciclo existencial em pior condição para uma maior quantidade de pessoas, pois não há boa intenção que leve decisão e ação erradas a gerar bons resultados.

Assim, para rompermos o ciclo, precisaremos de muito mais união de elites. Assim, elites de cada campo da diversidade humana precisam assumir os papeis de liderança, unindo-se às demais. E isso vale para tudo. A elite que lidera os não incluídos em qualquer local precisa falar, ser ouvida e atendida, para que cheguemos a uma maior inclusão social. Entender e atender a diversidade passa por respeitar e tratar melhor todos os grupos: jovens ou velhos; pobres ou ricos. Precisamos colocar um fim na discriminação destruidora, para encontrar uma inclusão por objetivos que nos unam. Chega de divisões pela difamação. A cada vez que formos difamar alguém, devemos refletir se isso faz sentido. É quase impossível que faça.

Enquanto isso, a morte vai ensinando, pouco a pouco, os negacionistas e anti-tudo. A morte é ótima mestra. É lamentável e triste ver a quantidade de pessoas mortas a cada dia, por conta da falta de competência institucional e social. O mais importante é que tiremos lições desta condição e cada um de nós está tirando as suas. Falta apenas colocar um pensamento sereno para modificar as atitudes, pois enquanto ficar um pensamento ensandecido, querendo apenas brigar e xingar, estaremos longe construir a união que levará ao fim da fase em que estamos, que é fruto de nossa sociedade. Chegou a hora de plantar novas árvores.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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