Quando a Amazônia será um esforço conjunto?

“Enquanto não houver temas que mereçam ser atingidos por parcelas expressivas da sociedade, com recursos humanos e financeiros alocados, não será possível resolver nenhum de nossos problemas”.

Augusto César Barreto Rocha
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Augusto é professor da UFAM

Nós temos um esforço conjunto que é o Brasil? Nós temos o mesmo na Amazônia? Ou nós temos apenas esforços individuais que são as nossas vidas? Estas perguntas são fundamentais para a compreensão dos problemas que realmente importam para as pessoas e as sociedades. Por uma série de motivos históricos, temos construído poucos esforços conjuntos, seja lá pelo que for. O que temos feito em profusão são críticas a qualquer esforço de outros.

Enquanto não houver temas que mereçam ser atingidos por parcelas expressivas da sociedade, com recursos humanos e financeiros alocados, não será possível resolver nenhum de nossos problemas. Numa microescala ou numa perspectiva macro a problemática será a mesma. Assim, como se preocupar com o meio ambiente, se a pessoa está na base da pirâmide das prioridades humanas, não conseguindo superar os problemas de segurança ou de fome?

A criação das múltiplas pautas para a sociedade são frutos de esforços em conjunto. Se não estivermos no comando, haverá alguém lá. O enfrentamento desta realidade é a grande barreira para o desenvolvimento de qualquer região. E quem está no comando, fará o máximo para chutar a escada de quem quer que se atreva a tomar sua liderança. Isso se dará de maneira declarada ou velada. É uma questão de observação cuidadosa e entendimento do contexto.

O rompimento democrático desta lógica se dará pelas coletividades se associando por objetivos e o uso das instituições de Estado e de Governo para as transformações necessárias. É uma necessidade percebermos esta dinâmica, caso queiramos um 2021 melhor do que os anos anteriores. Será que na Amazônia teremos este esforço em conjunto? Não acredito que isso seja um problema de solução rápida ou fácil, pois, se fosse, já teria sido solucionado.

Precisaremos perceber que isso é um grande esforço, complexo, trabalhoso e multigeracional. Se ele for tratado fora da dimensão real do problema, sempre haverá frustrações e abandono das inciativas, que jamais serão concluídas. Por outro lado, ajustando a mente e as expectativas para os prazos apropriados aos problemas, com vitórias previstas para o curto, médio e longo prazo, isso se torna factível. Assim, estimo que 2021 traga este início de conversa sobre a região. Quem sabe, até o final do ano cheguemos nesta pauta, com participação nossa e de pessoas de outras regiões do planeta. Será um ótimo próximo passo, pois já chega de brigas e outras estupidezes.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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