PPB’s Indutivos, um direito e novos caminhos – Parte I

Você sabe o que significa a sigla LOC? Trata-se de um dispositivo Lab-on- a-chip, também conhecido como sistema micro-analítico-total (microTAS) ou dispositivo de microfluidos. Poucas coisas seriam mais preciosas para um país como o Brasil e para uma região como a Amazônia do que dispor dessa ferramenta, produzida preferencialmente num Estado que tem 167 milhões de hectares de floresta conservada e, praticamente, intocada por P&D. Eis um exemplo do que se pode querer de PPB indutivo, aquele instrumento que poderia ser previamente liberado, adotado e transformado em atrativo para novos e adequados investidores do setor. Infelizmente, em lugar de flexibilizar e estimular, o governo federal inventou um amontoado de formalismo para meter o bedelho nos empreendimentos que já são autorizados e previamente liberados pela Constituição do Brasil. São 50 anos de tentativas e reconhecidos acertos da Zona Franca de Manaus para empreender com racionalidade e equilíbrio numa região onde habitam aproximadamente 20% dos seres vivos da Terra, com a mais exuberante e misteriosa biodiversidade da Gaia. Esse portfólio já é a credencial de respeito para permitir liberdade de produção e geração de riqueza.

Inventário da prosperidade

Não há mistérios nessa vereda. Misteriosa é a floresta porque apenas pouco mais de 5% desse acervo entrou num laboratório para a taxonomia preliminar. Produzir o dispositivo LOC na Zona Franca de Manaus, e tudo o que a inovação tecnológica nano e biotecnológica pode oferecer, poderia facilitar o inventário desse monumental almoxarifado de bioportunidades. O Lab-on-a-chip racionaliza a necessidade de equipamentos caros e pessoal altamente treinado recursos que não estão disponíveis em muitas áreas onde a epidemia de dengue, zika, malária, HIV, tuberculose etc. etc., são mais graves. O ISI, Instituto Senai de Inovação, já desencadeou essa caminhada. O dispositivo utiliza apenas uma gota de sangue, ou uma gota de insumo. Ele separa os glóbulos vermelhos que transporta oxigênio dos glóbulos brancos que combatem doenças. Identifica os antibióticos dos 135 tipos de mangarataias/gengibre da Amazônia. Uma gota da seiva da copaíba, por sua vez, permitirá conhecer as finalidades médicas conhecidas de seus insumos e propriedades. Com os LOCs, integrar as funções de laboratório miniaturizados (tais como separação e análise de componentes de uma mistura) em um único chip microprocessador significaria avançar décadas em definição de funções, propriedades, protocolos, soluções e respostas para os principais enigmas da humanidade, entre eles, certamente, a insensatez de nossos gestores em ignorar esse cenário de riqueza ambientalmente sustentável, socialmente próspera, economicamente viável e socialmente justa, parodiando a profecia de Samuel Benchimol.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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