Exercícios perdem até 60% do efeito em pessoas de regiões com altos níveis de poluição do ar, detalha estudo

Estudo com 1,5 milhão de pessoas mostra que, em regiões com poluição do ar elevada, os benefícios do exercício à saúde são até 60% menores.

A prática regular de atividades físicas pode ter seus efeitos positivos bastante reduzidos quando realizada em ambientes com altos níveis de poluição do ar. É o que revela uma nova pesquisa publicada na revista BMC Medicine, que avaliou dados de mais de 1,5 milhão de adultos ao longo de uma década, em países como Reino Unido, China, Taiwan, Dinamarca e Estados Unidos.

Vista urbana com prédios cobertos por névoa de fumaça causada pela poluição do ar.
Foto: Getty Images

O foco do estudo foi a exposição ao material particulado fino (PM2.5), composto por partículas microscópicas — menores que 2,5 micrômetros — capazes de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. Segundo os pesquisadores, os benefícios do exercício físico diminuem drasticamente quando a concentração média anual de PM2.5 ultrapassa 25 microgramas por metro cúbico (μg/m³), limite superado em regiões onde vive cerca de 46% da população mundial.

Pessoas que se exercitam por pelo menos 150 minutos semanais apresentaram, em geral, redução de 30% no risco de morte. No entanto, quando expostas a altos níveis de poluição do ar, esse ganho caiu para 12% a 15%. Em áreas ainda mais poluídas, acima de 35 μg/m³, os efeitos protetores foram praticamente anulados, especialmente em relação ao câncer.

Apesar das perdas, os autores ressaltam que a atividade física continua trazendo benefícios à saúde, mesmo em ambientes poluídos. Ainda assim, reforçam que melhorar a qualidade do ar pode potencializar esses efeitos. “Ar limpo e exercício são pilares para um envelhecimento saudável”, afirmou o professor Andrew Steptoe, da University College London.

O estudo apresenta limitações, como a escassez de dados de países de baixa renda e a ausência de informações sobre ambientes fechados. Ainda assim, trata-se de uma das maiores análises globais já realizadas sobre a interação entre exercício e poluição do ar. Especialistas recomendam que, em dias críticos, as pessoas busquem rotas menos expostas ou ajustem a intensidade das atividades para reduzir riscos sem abrir mão da prática.

Pé com tênis correndo em ambiente urbano sob efeito da poluição do ar.
Mesmo com rotina ativa, a poluição do ar pode comprometer os efeitos do exercício físico. Foto: Kevin Frayer/Getty Images
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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