A visão de quem percorreu toda a jornada

As observações de Issao Mizoguchi acrescentam uma dimensão especial à celebração dos cinquenta anos da Honda no Brasil.

Sua autoridade para falar sobre Manaus nasce da própria trajetória. Engenheiro mecânico, ingressou na empresa como estagiário em 1985 e construiu uma carreira rara mesmo dentro de uma corporação global.

Passou cerca de 25 anos na fábrica da Amazônia, atuando nas áreas de qualidade, engenharia, planejamento industrial e produção. Mais tarde, assumiu a presidência da Moto Honda da Amazônia e alcançou posições inéditas para um executivo brasileiro.

Mizoguchi tornou-se o primeiro brasileiro e o primeiro executivo não japonês a comandar uma das operações regionais mundiais da Honda, acumulando também a função de Operating Officer da Honda Motor Co., no Japão.

toda a jornada

Depois de ler o ensaio do Brasil Amazônia Agora, ele sugeriu destacar um aspecto que considera essencial para compreender a presença da empresa na região.

A observação alcança o centro do debate sobre o desenvolvimento amazônico. A indústria instalada em Manaus concentra empregos, renda, tecnologia e oportunidades em ambiente urbano, reduzindo pressões econômicas sobre o território florestal.

Segundo Mizoguchi, mais de cem mil pessoas dependem direta ou indiretamente da atividade econômica gerada pela Honda, considerando trabalhadores, fornecedores, concessionárias, transportadores, prestadores de serviços e negócios vinculados à cadeia produtiva.

Ele também recorda uma dimensão estratégica do Decreto-Lei nº 288, que estruturou a Zona Franca de Manaus. O modelo foi concebido para promover desenvolvimento regional, integrar a Amazônia à economia brasileira, fortalecer a presença nacional e contribuir para a defesa de um território de importância decisiva para o país.

A Honda tornou-se um dos maiores sustentáculos desse propósito.

Quando essa reflexão parte de um executivo que começou como estagiário, se formou profissionalmente no chão de fábrica de Manaus e alcançou o posto mais elevado já ocupado por um brasileiro na estrutura global da empresa, ela assume o valor de um testemunho histórico.

A presença japonesa na Amazônia foi marcada pelo respeito ao trabalho, pela disciplina, pela confiança nas pessoas e pela disposição de construir relações de longo prazo.

Celebrar seus cinquenta anos significa reconhecer os milhares de trabalhadores que fizeram da unidade de Manaus uma referência mundial, os fornecedores que cresceram com ela, os concessionários que levaram seus produtos a todo o país e os consumidores que transformaram a motocicleta em parte da vida brasileira.

Significa também reconhecer uma empresa que escolheu a Amazônia para construir uma das histórias mais bem-sucedidas da indústria nacional.

Cada motocicleta produzida em Manaus carrega trabalho, tecnologia, arrecadação, formação profissional e oportunidades que ajudam a manter a floresta em pé.

A Honda chega aos cinquenta anos reafirmando que a Amazônia pode produzir em escala, inovar, competir globalmente e proteger seu patrimônio natural. Uma trajetória que merece gratidão, orgulho e alegria.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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