Pecuaristas driblam restrições para vender carne de áreas desmatadas na Amazônia

Na base da “malandragem”, alguns pecuaristas estão conseguindo escapar dos sistemas de monitoramento impostos por grandes redes de supermercados para vender a elas carne bovina produzida em áreas ilegalmente desmatadas na Amazônia. Uma investigação inédita da Repórter Brasil revelou que varejistas como Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Big ainda enfrentam dificuldades para segregar fornecedores e impedir que suas lojas ofereçam aos consumidores carne associada com ilegalidades ambientais no Brasil, o que coloca em xeque a capacidade dessas redes de se dissociar de fornecedores envolvidos com crimes ambientais.

No UOL, Leonardo Sakamoto destacou o caso do frigorífico Mercúrio Alimentos, fornecedor do GPA: entre julho e outubro do ano passado, a empresa adquiriu ao menos 370 cabeças de gado oriundas oficialmente da Fazenda 4 Irmãos em Pacajá (PA); no entanto, a propriedade possui apenas 100 hectares, sendo uma boa parte ainda dela coberta por mata nativa. Ou seja, a quantidade de gado é incompatível com a extensão do terreno da fazenda, o que sugere um esquema de “lavagem de gado”, no qual o boi criado em área irregular é repassado para uma propriedade sem registro de crimes ambientais antes de ser vendido como carne “limpa” para os frigoríficos. Sakamoto lembrou ainda que no ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) acordou com os principais frigoríficos e redes varejistas do país a adoção de um “índice de produtividade”, criado pelo Imaflora, no qual os frigoríficos se comprometeram a bloquear as compras de propriedades que encaminhem para o abate mais do que três cabeças de gado por hectare ao ano. A Bloomberg também repercutiu a análise da Repórter Brasil.

Em tempo 1: O fundo holandês &Green, voltado à promoção de cadeias agropecuárias sustentáveis, concedeu um empréstimo de US$ 30 milhões ao frigorífico Marfrig para que a empresa garanta gado livre de desmatamento no Cerrado e na Amazônia até 2030. Segundo o Valor, o foco dos recursos será em rastreamento e apoio aos fornecedores indiretos (que entregam gado aos criadores para a engorda final), considerado o principal “buraco negro” na cadeia pecuária.

Em tempo 2: O grupo francês LDC, a maior companhia de processamento de aves do país, anunciou nesta semana que pedirá aos seus fornecedores de soja que deixem de comprar grãos de áreas que foram desmatadas após 1º de janeiro de 2020, mesmo que de forma legal, especialmente no Cerrado brasileiro. A empresa determinou também que os importadores de soja apresentem detalhes de rastreabilidade do produto fornecido. O Valor traz mais informações.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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