Paralisação de campos de petróleo pode gerar demissões

A suspensão da produção em plataformas marítimas e em campos terrestres de petróleo pode levar a demissões em massa. O alerta é da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A entidade sindical cita estimativa do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), apontando que a interrupção das atividades pode extinguir mais de 5 mil empregos apenas na Bahia.

Em abril, a Petrobras anunciou a hibernação de 62 plataformas em campos de águas rasas das bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Ceará, por causa da baixa no preço internacional do petróleo.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que, até o momento, 36 campos tiveram a hibernação formalmente comunicada. Desse total, 33 são operados pela Petrobras e 15 deles são terrestres. Os três campos no Recôncavo Baiano são os únicos da lista da ANP que não são operados pela Petrobras.

Segundo a FUP, a partir de abril a empresa descontratou 20 sondas de perfuração, o que levou à demissão de 350 trabalhadores do campo terrestre de Dom João, em São Francisco do Conde, no Recôncavo, funcionários da empresa que prestava o serviço à Petrobras. A federação afirma que este campo iniciou o processo de hibernação.

A estatal por sua vez, não confirma as demissões: “A Petrobras não confirma a estimativa de demissões mencionada e ressalta que a gestão do efetivo de trabalhadores cabe às empresas contratadas”.

Para o diretor da FUP Deyvid Bacelar, no entanto, a atual direção da estatal tem sido irresponsável com seus trabalhadores e com a população. “A empresa que anunciou lucro recorde em 2019 demite pessoas, abandona trabalhadores terceirizados, interrompe atividades lucrativas alegando corte de gastos, mantém a venda de ativos como gasodutos e refinarias, o que vai diminuir sua capacidade de sustentação econômica, e ignora sua função social de apoio às comunidades locais onde está instalada.”, disse.

Liminar pode suspender hibernação

Segundo a FUP, um pedido de liminar feito no domingo (10) à Justiça Federal da Bahia quer suspender a hibernação dos campos terrestres de petróleo e gás natural no estado. O texto do pedido fala das perdas para o estado referentes ao pagamento de royalties.

O pedido lembra também da responsabilidade social inerente a uma empresa pública e afirma que a paralisação das atividades pode levar à “destruição de cerca de 10 mil postos de trabalho direta e indiretamente” na cadeia produtiva do petróleo na Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e norte do Espírito Santo.

Em nota, a Petrobras informou que os campos terrestres que estão em processo de desinvestimento continuam em operação, mas podem ter uma “eventual redução de atividades em campos menores”, devido a “restrições de deslocamentos impostos pela pandemia do covid-19”. 

A empresa explicou que seu foco é em exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, principalmente no pré-sal, “onde a companhia alcança melhor retorno financeiro”.

“O atual ambiente de incertezas na indústria de petróleo, impactada pela pandemia covid-19, tem gerado uma dinâmica bastante fluida dos mercados. A Petrobras continua monitorando a situação e adotando as medidas necessárias para preservação do seu caixa e das atividades da companhia”, diz a nota da Petrobras.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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