Onça-pintada e tamanduá-bandeira estão provavelmente extintos no Ceará

Lista de Mamíferos Ameaçados no estado foi divulgada nesta terça-feira (12). Documento mostra que anta e tatu-canastra já não podem ser encontrados em território cearense

O Ceará, estado que já perdeu mais de 90% de sua vegetação original de Mata Atlântica e sofre com as pressões sobre a Caatinga, também está perdendo as espécies que vivem nesses biomas. A anta (Tapirus terresitris) e o tatu-canastra (Priodontes maximus) com certeza já não podem mais ser encontrados em território cearense. 

A onça-pintada (Panthera onca), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o queixada (Tayassu pecari) e as populações nativas de bicho-preguiça (Bradypus variegatus) também podem ter o mesmo destino, já que estão “provavelmente extintos” nesta unidade da federação.

Os dados fazem parte da primeira Lista da Fauna Ameaçada divulgada pelo estado. O documento, lançado nesta terça-feira (12), faz parte da fase inicial do projeto e é focado em mamíferos terrestres em risco de extinção.

A lista também revela que algumas espécies que nem sequer estão ameaçadas em nível nacional, figuram como “criticamente em perigo” no Ceará. Este é o caso do quati (Nasua nasua) e do caxinguelê (Guerlinguetus brasiliensis), com registros raros e de localização restrita no estado, e também do tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) e do morcego (Chiroderma visottoi).

Myrmecophafa tridactyla Hugo Fernandes
O tamanduá-bandeira, outro animal que já não se encontra no estado. Foto: Hugo Fernandes.

Além disso, a pesquisa aponta 12 espécies na categoria ‘Em Perigo’ (EN) e 8 como ‘Vulnerável’ (VU). Outro dado preocupante é que cerca de 17% das espécies estão na categoria DD (Dados Insuficientes). Ou seja, espécies que podem estar ameaçadas, mas que não há informações disponíveis para uma avaliação aferida. 

A lista de mamíferos ameaçados foi construída por um grupo de mais de 50 profissionais, de 18 instituições, que trabalhou durante cerca de quatro anos para levantar e avaliar todas as 128 espécies da mastofauna terrestre que ocorre em território cearense. 

O projeto faz parte do Programa Cientista Chefe do Governo do Estado e foi coordenado pelo professor Hugo Fernandes, da Universidade Estadual do Ceará.

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Segundo ele, o projeto todo envolve o estudo de mamíferos marinhos, répteis, anfíbios, aves, peixes continentais e peixes marinhos ameaçados de extinção em território cearense.

“Já está em fase avançada a lista de aves e iniciadas as listas de répteis e anfíbios. Daqui a um mês deve começar a lista de peixes, tanto continentais quanto marinhos”, disse o pesquisador, em entrevista a ((o))eco.

De acordo com Fernandes, as listas serão publicadas em portarias separadas para cada grupo. Futuramente, o Governo do Estado do Ceará deve lançar um documento compilado da fauna ameaçada no estado.

“A ideia é que até o final do ano a gente tenha o Livro Vermelho de Fauna Ameaçada, onde estarão as informações mais específicas para cada espécie, como informações biológicas, ecológicas, de ameaças geográficas e as indicações de mitigação de impactos”, explica. 

A portaria com a Lista de Mamíferos Terrestres ameaçados deve ser publicada até o final desta semana no Diário Oficial do Estado.

Tolypeutes tricinctus @Liana Sena 6

Uma das espécies bandeiras da Caatinga, o tatu-canastra (Priodontes maximus) está oficialmente extinto no Ceará. Foto: Hugo Fernandes.

Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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