O mistério em torno dos “investidores” por trás do garimpo no rio Madeira

Eduardo Gonçalves escreveu n’O Globo sobre a rotina dos garimpeiros que formaram a “Serra Pelada” fluvial no rio Madeira no mês passado. Para quem vive ao longo do rio, a presença do garimpo é corriqueira, especialmente durante o verão, quando o nível mais baixo do Madeira facilita a exploração de ouro em seu leito.

Para quem vive do garimpo, certas coisas são mantidas em segredo. Por exemplo, quem financia a operação de exploração de ouro, que depende de maquinário e insumos que não são baratos. Os compradores do ouro também são um mistério: nem todos os garimpeiros sabem a identidade de seus clientes, e aqueles que sabem não divulgam a informação de jeito algum, em um misto de medo e sigilo.

Junto com o apoio secreto de financiadores e clientes, os garimpeiros contam também com o suporte nada discreto de Bolsonaro, defensor do garimpo e contrário à detenção e destruição de maquinário do garimpo pelas forças de segurança e fiscalização ambiental. “É no espelho d’água do Palácio do Planalto, e não no rio Madeira, que está atracada a nau capitânia que comanda as ilegais embarcações com garimpeiros de ouro na Amazônia”, escreveram Antonio Carlos Prado e Fernando Lavieri na IstoÉ.

De fato, as ilegalidades não acontecem em surdina na Amazônia. O jornal A Crítica mostrou que estaleiros trabalham na construção de dragas e balsas para o garimpo praticamente do lado da sede da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC), órgão da Marinha Brasileira que licencia e fiscaliza embarcações. Nas redes sociais, anúncios para construção e venda de balsas para o garimpo são corriqueiros.

Em tempo 1: A mineração ilegal avança rapidamente sobre Terras Indígenas na Amazônia. Um vídeo divulgado pelo site The Intercept Brasil mostrou imagens da devastação causada pelo garimpo na TI Sai-Cinza, em Jacareacanga, sudoeste do Pará. Nessa mesma região, a TI Munduruku também sofre com a intensificação da atividade mineradora ilegal, que derruba áreas verdes que deveriam estar protegidas e prejudica a vida das comunidades indígenas locais. O g1 também repercutiu o avanço do garimpo nas TIs do sudoeste paraense.

Em tempo 2: Uma operação da Força Nacional de Segurança Pública apreendeu 38 pessoas e 75 aviões na TI Yanomami, em Roraima. De acordo com o g1, mais de 30 mil quilos de minério foram encontrados com os criminosos, além de 85 mil litros de combustível e 650 cartuchos de munição de arma de fogo.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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