Segundo ele, o negacionismo econômico se manifesta por meio da recusa em aceitar que uma reestruturação da economia global seja viável ou desejável para enfrentar a crise climática
André Corrêa do Lago, diplomata e presidente da COP30, alertou recentemente para uma nova forma de resistência no combate às mudanças climáticas: o “negacionismo econômico”. Diferentemente da negação das evidências científicas sobre o aquecimento global, esse novo fenômeno envolve a rejeição à transição para uma economia de baixo carbono. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Corrêa do Lago, que também é economista, apontou essa postura como uma ameaça igualmente grave ao progresso climático.
Segundo ele, o negacionismo econômico se manifesta por meio da recusa em aceitar que uma reestruturação da economia global seja viável ou desejável para enfrentar a crise climática. Como consequência, esse tipo de resistência retarda medidas estruturais e investimentos necessários para descarbonizar setores-chave, como energia, transporte e agricultura.
“Não estamos mais diante da negação da ciência. O que vemos agora é uma tentativa coordenada de desacreditar as políticas climáticas e a própria ideia de que a economia pode ser parte da solução”, afirmou o presidente da COP30. “Trata-se de um negacionismo econômico.”
André Corrêa do Lago apontou que, em sua visão, o avanço do populismo global tem alimentado essa visão negacionista, especialmente em países onde líderes populistas passaram a desmantelar políticas climáticas sob o pretexto de proteger a economia e o bem-estar social. Para ele, esse fenômeno representa um retrocesso tão perigoso quanto o negacionismo científico, uma vez que mina os esforços estruturais para uma transição ecológica.
Um exemplo citado foi a presidência de Donald Trump nos Estados Unidos, durante a qual houve cortes em agências ambientais, revogação de regulamentações climáticas e a retirada do país do Acordo de Paris.
O presidente enfatiza que o desafio agora, no período que antecede a COP, é mostrar que a transição para uma economia de baixo carbono não é apenas viável, mas pode trazer benefícios econômicos concretos. “A alternativa [ao sucesso da COP30] é a aceleração da mudança climática”, alerta.