Noruega condiciona doações para o Fundo Amazônia: ‘resultado primeiro, pagamento depois’

Em visita ao Brasil nesta semana, o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide, ao lado de sua colega brasileira, Marina Silva, reiterou as intenções de seu país de seguir apoiando o Fundo Amazônia, do qual é o maior financiador.

“Nós vamos continuar esta cooperação. Então, com novos resultados, haverá novos pagamentos. Mas resultados primeiro, depois pagamentos. Isto foi algo que acordamos com o Brasil quando esta cooperação começou”, disse Eide ao g1 na última 4ª feira (22/3). Pelas regras do fundo, os repasses dos doadores são condicionados à taxa de redução de desmatamento apresentada em período anterior. 

As doações estavam paradas desde 2019, primeiro ano da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro – segundo o ministro norueguês, consequência de atos daquele governo. “As decisões sobre como usar o dinheiro do fundo são brasileiras, mas em 2019 o acordo institucional foi quebrado. Então, não foi nossa decisão; o congelamento foi efeito de uma decisão de Bolsonaro”. 

Lembrando: no começo do governo passado, o Fundo Amazônia acabou congelado depois da extinção de seu comitê de gestão, atingido pelo “revogaço” dos colegiados participativos. Isso travou o processo decisório para liberação dos recursos disponíveis. Outro problema foi a insistência da antiga gestão em mudar as regras para utilização dos recursos sem alinhamento com os governos doadores. 

Em declaração conjunta, os dois ministros concordaram com a importância de uma “operacionalização rápida dos recursos disponíveis no Fundo Amazônia para apoiar as necessidades críticas identificadas pelo Brasil para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo na região amazônica”.

No texto, a Noruega também se comprometeu a “apoiar os esforços do Brasil para mobilizar recursos adicionais para o Fundo Amazônia”. 
noruega
Fernando Frazão – Agência Brasil

A passagem de Eide por Brasília teve ampla repercussão na imprensa, com manchetes na Agência Brasil, CartaCapital, epbr, Estadão, ((o)) eco, O Globo, Poder360, UOL e Valor. Já o InfoAmazonia abordou como o Fundo Amazônia tem ajudado na retomada da política externa brasileira na gestão do presidente Lula, facilitando o diálogo com países interessados em apoiar o Brasil na proteção ambiental e na ação climática. 

Em tempo: A proposta apresentada pela União Europeia para destravar o acordo comercial com o Mercosul prevê que o Brasil assuma novos compromissos contra o desmatamento, informou Jamil Chade no UOL.

Segundo a reportagem, os europeus querem que o país se comprometa com um corte de pelo menos 50% da taxa de desmatamento até 2025. Mesmo com a proposição, ambientalistas europeus seguem preocupados com os efeitos do acordo sobre a situação da Amazônia e de outros biomas sul-americanos e pressionam pelo fim do acordo.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O imposto muda de endereço. E como fica o interior do Amazonas?

“A reforma tributária altera a distribuição das receitas e exige que governo, prefeituras e setor produtivo organizem desde já o financiamento do desenvolvimento nos municípios”.

Abraciclo lança guia para orientar uso seguro de veículos elétricos de duas rodas nas cidades brasileiras

"Publicação reúne recomendações sobre segurança viária, regras de circulação...

Adalberto Luís Val, um cientista que ajuda o mundo a compreender a Amazônia

“Reconhecido internacionalmente, pesquisador do Inpa construiu uma trajetória que...