Caatinga: Método inovador eleva taxa de sobrevivência de plantas da região em 133%

A técnica já é reconhecida pela ONU e promete transformar a restauração ambiental na Caatinga

Desde o início de agosto, a Fazenda Raposa, localizada em Maracanaú, Ceará, está em meio a um experimento que pode revolucionar a restauração ambiental na Caatinga. Com um novo método desenvolvido pela professora Gislene Ganade, a taxa de sobrevivência das mudas de plantas da região é capaz de passar de 30% para 70%, sendo um aumento absoluto de 40% e um aumento percentual de 133%.

A técnica já é reconhecida pela ONU e promete transformar a restauração ambiental na Caatinga
Foto: Mauro Pichorim.

Dessa forma, o projeto utiliza canos de PVC como vasos, permitindo que as raízes das mudas se desenvolvam melhor antes do plantio. Conforme destacou o portal CicloVivo, a pesquisadora Iali Fernandes, do Laboratório de Ecologia da Restauração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), detalha que essa técnica possibilita o crescimento das raízes em até um metro de extensão. Após um período em estufa, as mudas estão preparadas para enfrentar o solo árido da Caatinga.

“Esse método inovador foi reconhecido pela ONU e recebeu o prêmio Dryland Champions pela sua contribuição no combate à desertificação.”

destaca Iali


O projeto, que é realizado em parceria com a Associação Caatinga, inclui a implementação de até 40 parcelas experimentais, onde serão testados quatro tipos de manejo: aplicação de água, remoção de herbáceas, uma combinação de ambos e a ausência de tratamentos. O foco é avaliar o impacto desses métodos de sobrevivência e crescimento das plantas nativas.

Além disso, como mudas estão sendo plantadas durante a estiagem, um desafio é buscar avaliar a resistência das plantas em condições severas. Marília Nascimento, coordenadora de programas socioambientais da Associação Caatinga, pontua que, historicamente, as pessoas optam por plantar durante o período chuvoso, pois isso facilita o desenvolvimento. No entanto, se o método mostrar eficácia durante a seca, será possível observar um marco na restauração da Caatinga.

A técnica já é reconhecida pela ONU e promete transformar a restauração ambiental na Caatinga

Até o momento, já foram plantadas mais de 31.550 mudas na Fazenda Raposa. O experimento não apenas melhora as práticas de restauração, mas também avança nas tecnologias utilizadas no bioma da Caatinga.

“Essa pesquisa não apenas visa proteger ainda mais a Fazenda Raposa, mas também avançar nas tecnologias de restauração do bioma Caatinga, contribuindo para a preservação desse ecossistema único.”

afirma Marília.

Diante disso, a técnica, se bem sucedida, poderá ser replicada em outras áreas semiáridas do Brasil e até em outros países. A busca por métodos sustentáveis ​​de recuperação ambiental é mais urgente do que nunca. O trabalho da equipe liderada pela professora Gislene Ganade pode não apenas ajudar a restaurar a Caatinga, mas também inspirar iniciativas semelhantes em todo o mundo.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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