Mercado de carne vem abrindo discussão de práticas sustentáveis

Em evento da Expomeat que reúne empresários do mercado de carne, práticas como a rastreabilidade do boi tem sido discutidas. Iniciativas como o Radar Verde se propõe a mostrar a possibilidade de aumenta da produção agropecuária sem a necessidade de desmatamento

A IV Feira Internacional para a Indústria de Processamento de Proteína Animal e Vegetal (Expomeat), um dos maiores eventos do setor no Brasil, abriu, pela primeira vez, espaço para falar da produção de carne livre de desmatamento. Realizada na capital paulista entre terça e quinta-feira (28 a 30), a feira conta com um estande do Radar Verde, iniciativa que busca mostrar quais frigoríficos e supermercados demonstram maior controle e transparência na produção da carne que comercializam.

Segundo Cledson Fernandes, gerente comercial da Expomeat, a abertura do espaço para tratar de um tema tão sensível à cadeia da carne é fruto de uma demanda do mercado e do próprio setor. “Produzir e não desmatar é a pauta que está dentro da indústria. O Radar Verde faz muito bem esse papel e a indústria da carne no Brasil e na América Latina não conheciam [a ferramenta]. Essa é uma oportunidade de disseminar a informação e a importância do meio ambiente para produzir com qualidade e sem desmatar”, disse a ((o))eco.

Fotos do evento Expomeat

A realidade, no entanto, mostra que ainda falta um longo caminho para que as empresas da indústria da carne se comprometam de fato com a sustentabilidade. O primeiro ciclo de análises do Radar Verde, divulgado em dezembro de 2022, mostrou a total falta de transparência de frigoríficos e empresas varejistas, quando convidadas a mostrar se suas políticas garantem que a carne processada e comercializada não é proveniente de áreas com desmatamento ilegal.

Das 90 empresas da indústria da carne no Brasil e 69 redes varejistas convidadas a participar do estudo, apenas 5% delas aceitaram participar do trabalho. Nenhuma autorizou a divulgação de sua classificação final.

A pecuária é atualmente o maior vetor do desmatamento na Amazônia. Pastos para o gado cobrem cerca de 90% da área total desmatada no bioma, e mais de 90% dos novos desmatamentos são ilegais

O Brasil possui cerca de 224 milhões de cabeças de gado (IBGE) atualmente, sendo que ao menos 93 milhões de bois estão dentro dos limites dos estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão). 

Mercado de carne vem abrindo discussão de práticas sustentáveis
Embarque de gado vivo numa fazenda do município de Eldorado dos Carajás, sudeste do Pará.

Garantir a rastreabilidade desse gado é essencial para assegurar que o bife que chega ao nosso prato não está ligada ao desmatamento. A estimativa é que, desde o nascimento até o abate e processamento da carne, o gado passe por cerca de 10 fazendas, sendo que nem todas são controladas.

Além de rodas de conversa no próprio estande na Expomeat, o Radar Verde também vai promover, na próxima quinta-feira (30), a palestra “Como aumentar a produtividade da pecuária sem desmatar a Amazônia”. 

A quarta edição da Feira Internacional da Indústria de Processamento de Proteína Animal e Vegetal acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo. A feira reúne grandes players do setor: são cerca de 200 expositores, representando mais de 600 marcas nacionais e internacionais. O credenciamento é gratuito e pode ser feito no local do evento.

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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