Marina Silva: “na minha opinião pessoal a Petrobras não pode continuar como uma empresa de exploração de petróleo”

Desde que assumiu a presidência da Petrobras, no final de janeiro, Jean Paul Prates vem ressaltando que a empresa tem de investir na transição energética. Porém, além de extrair o petróleo e o gás natural das megarreservas já descobertas na região do pré-sal, Prates defende a continuidade das atividades de exploração de óleo e gás. Inclusive na ambiental e socialmente sensível região da margem equatorial, litoral que vai do Rio Grande do Norte até o Amapá. 

Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a Petrobras tem de deixar de ser uma empresa de exploração de petróleo – ou seja, de focar seu principal negócio na busca por hidrocarbonetos. Marina avalia que a companhia tem de usar os recursos obtidos com a venda de petróleo, gás e combustíveis fósseis para investir na geração de energia renovável.

“Na minha opinião pessoal, a Petrobras não pode continuar como uma empresa de exploração de petróleo. Isso é um desafio para o governo e um desafio para os seus acionistas. Ela tem que ser uma empresa de energia que vai usar inclusive o dinheiro do petróleo para fazer essa transição [energética], para deixar essa fonte que é altamente impactante para o equilíbrio do planeta”, disse a ministra, em entrevista ao Sumaúma.

O atual embate entre a petroleira e a área ambiental do governo envolve a um poço de exploração na Bacia da Foz do Amazonas, na margem equatorial, em trecho entre o litoral do Amapá e do Pará.

A Petrobras precisa de licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para a atividade.

No entanto, analistas do órgão alegam que a empresa não apresentou um plano de atendimento à fauna efetivo em caso de acidentes, informou Ancelmo Gois, n’O Globo. E estão reticentes em dar a licença – embora haja pressões políticas para isso, segundo o colunista.

Repercutindo a entrevista do Sumaúma, a epbr destacou que Marina também é contrária ao licenciamento isolado desse poço. A ministra defende que, antes de licenciar qualquer perfuração na Foz do Amazonas, é preciso ter uma avaliação estratégica da bacia. “Não pode ser um licenciamento puramente pontual, é preciso fazer uma avaliação ambiental estratégica e trazer para a mesa todos os elementos, as implicações de um projeto como esse”, disse.

De acordo com o Diário do Amapá, a Petrobras planeja realizar ainda em março a Avaliação Pré-Operacional (APO) – etapa de obtenção da licença. Já o IBAMA diz que o agendamento da APO depende da avaliação dos Planos de Emergência Individual (PEI) apresentados pela companhia ao órgão.

Petrobras
FELIPE WERNECK

Ao defender a avaliação  ambiental estratégica para a margem equatorial e, particularmente, para a Foz do Amazonas, a ministra se lembrou do processo de licenciamento e dos impactos da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Marina chamou a usina de “trauma”.

Quanto à licença de operação de Belo Monte, vencida desde novembro passado e cheia de descumprimentos de condicionantes ambientais, Marina disse que esta será avaliada sob condições técnicas, não políticas.

Em tempo: Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostra que os brasileiros das classes mais altas consomem seis vezes mais energia elétrica per capita do que os mais pobres, informa a epbr. Enquanto os mais ricos gastam mais energia elétrica com ar condicionado para climatização, os mais pobres têm a maior parte de seu consumo elétrico usado para a conservação de alimentos em geladeiras.

A EPE também calculou o Índice de Gini Elétrico do setor residencial, para medir o grau de desigualdade. O índice varia de 0 (ausência de desigualdade) a 1 (máxima concentração). O indicador, que vinha diminuindo de 2005 a 2014, teve sua trajetória revertida e passou a aumentar a partir de 2015. Em 2019, ano do levantamento, ficou em 0,28.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Folclore amazônico transforma lendas em ferramenta de educação ambiental

Folclore amazônico ajuda escolas a ensinar ciência, biodiversidade e educação ambiental a partir de lendas, livros, museus e projetos educativos.

Brasilidade, a soberania inadiável

Nem São Paulo. Nem Manaus. O Brasil. Porque a brasilidade, diante...

Os rios estão avisando

Depois das secas históricas de 2023 e 2024, a...

Adalberto Val leva a Amazônia ao pódio da ciência mundial

Adalberto Val é pesquisador do INPA, vice-presidente da Academia...