Manaus, 354 anos de luta e superação

Neste aniversário de Manaus, defendemos a multidimensionalidade e sustentabilidade da economia local, que sejam mantidos na reforma tributária em discussão os benefícios fiscais do Projeto ZFM até 2073, em conformidade com os artigos 170, VI e 225 da Constituição, visto que o Polo Industrial de Manaus (PIM) ajuda a preservar o meio ambiente, minimiza resíduos, inova, tem eficiência produtiva, reduz as desigualdades regionais e sociais

Por Gilmar Freitas
__________________

Parabéns, Manaus! Sua história começa há 354 anos na Fortaleza de São José do Rio Negro, com a construção do povoado de São José da Barra do Rio Negro. Em 1832 a Comarca do Alto Amazonas recebe a categoria de vila, denominada Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro e, em 1848, é elevada à categoria de cidade, dois anos depois com o Amazonas passando à Província, passa a ser sua capital.

Em 1866 D. Pedro II, por meio do Decreto 3.749, abre o rio Amazonas à navegação internacional e expande oportunidades, fazendo com que em 30/04/1874 o Mallard, primeiro navio comercial, chegasse a Manaus. Nessa época deu-se início ao ciclo de navegação de Manaus com os portos da Europa, impulsionando a exploração do látex.

Manaus
Retirada do látex de uma seringueira. Foto por Aandra Souza.

Em 1856 a cidade passou a chamar-se Manáos, por inciativa do deputado José Ignácio Ribeiro do Carmo, homenageando a nação indígena dos Manáo (Mãe dos Deuses). Na dominação portuguesa, segundo os historiadores, houve o extermínio de aproximadamente dois milhões de índios, só na região do rio Negro. Segundo a lenda, o guerreiro Ajuricaba, líder dos Manáo, considerado símbolo de resistência, coragem e luta do povo amazonense, preferiu jogar-se acorrentado no Rio Negro a ser subjugado pelos portugueses.

b2ap3 large booth line cap 20220808 191417 1
Foto: Manaus de antigamente/Reprodução

A economia regional ganha prosperidade com a exploração de produtos naturais que são exportados, como: castanha, cumaru, cacau, guaraná, urucum, couro e o látex da seringueira (Hevea brasiliensis) e experimenta anos de prosperidade com o desenvolvimento do comércio extrativista, principalmente após 1888, quando Dunlop utiliza a borracha para fabricação de pneumático para bicicletas, mais tarde também aplicada nos automóveis pelos irmãos Michelin.

Com o plano de crescimento do governo de Eduardo Ribeiro em 1892, a cidade de Manaus ganha o serviço de transporte coletivo de bondes elétricos, telefonia, eletricidade, água encanada e o porto flutuante Roadway, que passa a receber navios dos mais variados calados e de diversas bandeiras.

manausdeantigamente bonde anos 30
Bonde no centro de Manaus (Foto:@manausdeantigamente)

No ano de 1900 Manaus, com uma população de quase 20 mil habitantes, com ruas retas e longas, calçadas com granito e pedras de liós importadas de Portugal, praças e jardins bem cuidados, belas fontes e monumentos, o suntuoso teatro Amazonas, hotéis, cassinos, estabelecimentos bancários e palacetes, é considerada uma cidade moderna no norte do Brasil.

Infelizmente, o governo da época não teve a capacidade de evitar a derrocada do período áureo da borracha e Manaus entra em estagnação na sua economia, só saindo com a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Neste aniversário de Manaus, defendemos a multidimensionalidade e sustentabilidade da economia local, que sejam mantidos na reforma tributária em discussão os benefícios fiscais do Projeto ZFM até 2073, em conformidade com os artigos 170, VI e 225 da Constituição, visto que o Polo Industrial de Manaus (PIM) ajuda a preservar o meio ambiente, minimiza resíduos, inova, tem eficiência produtiva, reduz as desigualdades regionais e sociais. Viva Manaus, a cidade acolhedora.

Gilmar Freitas é Assessor Econômico da Presidência da FIEAM

gilmarfreitas 350x350 1
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Ibama viraliza com ações contra o garimpo ilegal e explica destruição de equipamentos

Ibama viraliza com ações contra o garimpo ilegal e explica por que destrói dragas e outros equipamentos em operações.

Com apoio do Idesam, produtos da floresta movimentam R$ 18,2 milhões

Idesam apoia vendas de R$ 18,2 milhões em produtos sustentáveis e atua junto a mais de 5 mil famílias na Amazônia, aponta relatório de 2025.

Incêndio em Alter do Chão: o que se sabe sobre o fogo na APA de Santarém

Incêndio em Alter do Chão é controlado após mobilização de brigadistas e indígenas. Área protegida segue sob monitoramento para evitar novos focos.

Desmatamento na Amazônia pode levar à perda de remédios que a ciência ainda não descobriu 

Desmatamento na Amazônia ameaça US$ 22 bilhões em potencial de novos remédios derivados de plantas, aponta análise.

Data centers no Brasil: A conta da nuvem chega à água e à energia do país

Data centers no Brasil terão de cumprir metas de eficiência hídrica e usar energia renovável ou de baixa emissão para acessar incentivos do Redata.