“Sem educação e informação de qualidade, iremos a lugar algum”

A produção de conhecimento técnico e acadêmico é uma ferramenta poderosa para criar políticas públicas mais eficientes e sustentáveis. Por meio de estudos e análises fundamentadas, podemos orientar investimentos em áreas prioritárias, como educação, informação de qualidade, saúde e infraestrutura, sem comprometer os recursos naturais

Confira a entrevista exclusiva concedida ao Portal Brasil Amazônia Agora:

Cristy Lopes: “Presidente Yara Amazônia, durante o lançamento da revista científica do TCE-AM, a senhora destacou a importância da educação e da informação de qualidade. Poderia nos falar sobre como essa iniciativa reflete esse compromisso?”

Yara Amazônia: Certamente. A informação de qualidade, sustentada por critérios acadêmicos rigorosos, é a base para promover transformações efetivas na sociedade. Essa revista científica é um marco para o Tribunal de Contas do Amazonas e para toda a sociedade, pois reúne conteúdo técnico e pedagógico que valoriza o conhecimento como ferramenta para melhorar a administração pública. Além disso, vou sublinhar um dogma que percorre a história da humanidade: 

“Sem educação e informação de qualidade, iremos a lugar algum.”

Cristy Lopes: “A revista alcançou um reconhecimento importante, sendo qualificada no sistema Qualis da CAPES. Qual o significado desse feito para o tribunal e para a sociedade?”

Yara AmazôniaEsse reconhecimento é um divisor de águas. Pela primeira vez, nossa produção acadêmica é validada nacionalmente como uma obra científica de excelência. Isso demonstra que o controle externo não se limita à fiscalização, mas também à produção de conhecimento que auxilia a governança e a gestão pública.

Cristy Lopes: “Como foi o processo de idealização e execução da revista?”

Yara Amazônia: O projeto nasceu de uma visão coletiva. A ideia inicial foi minha, mas o conselheiro Fabian Barbosa desempenhou um papel essencial, com sua competência e empenho, para que essa revista se tornasse uma realidade. Ele liderou a organização de um conselho editorial criterioso, que selecionou dez artigos entre mais de 30 inscritos, garantindo uma publicação de alto nível.

Cristy Lopes: “Quais temas são abordados pelos artigos publicados?”

Yara Amazônia: Os artigos abrangem áreas fundamentais como Direito, Administração Pública, Contabilidade, Economia e Gestão do Patrimônio Público. São temas recorrentes nos julgamentos do tribunal e que agora estão disponíveis como instrumentos de pesquisa para acadêmicos e gestores públicos.

Cristy Lopes: “Durante o evento, o desembargador Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi mencionou que a revista é um legado. A senhora compartilha dessa visão?”

Yara AmazôniaSem dúvida. Esse é um legado não apenas para o Amazonas, mas para o Brasil. A revista promove o diálogo sobre questões cruciais, como o uso eficiente dos recursos públicos e a qualidade dos serviços oferecidos à população. Espero que inspire outras instituições a investirem na produção de conhecimento.

Cristy Lopes: “Houve também a premiação do 1º Concurso de Artigos Científicos. Qual a importância dessa iniciativa?”

Yara AmazôniaA premiação incentiva o engajamento acadêmico e valoriza as melhores ideias sobre o papel pedagógico e punitivo dos tribunais de contas. Esse concurso demonstra que é possível alinhar teoria e prática para construir soluções que beneficiem a sociedade.

Cristy Lopes: “Daqui pra frente, qual é o futuro dessa revista científica?”

Yara Amazônia: Nosso objetivo é consolidá-la como uma referência nacional. Pretendemos ampliar a periodicidade e incentivar ainda mais a participação de especialistas de diversas áreas. É assim que construiremos, juntos, um controle externo mais transparente, técnico e conectado à sociedade.

Cristy Lopes:  “Presidente Yara Amazônia, a senhora mencionou que o conhecimento é a base para transformar a sociedade. Diante das riquezas naturais da Amazônia, como o fortalecimento de iniciativas científicas pode ajudar a desvendar vocações econômicas sustentáveis para a região?”

Yara Amazônia: O fortalecimento de iniciativas científicas é crucial para identificar e valorizar o potencial da Amazônia de forma sustentável. A ciência nos permite conhecer melhor a biodiversidade da floresta, transformando recursos naturais em bioativos, produtos farmacêuticos, cosméticos e alimentos que atendem a mercados globais sem destruir o bioma. Além disso, é por meio do conhecimento que conseguimos criar tecnologias adequadas à realidade amazônica, promovendo atividades econômicas de baixo impacto ambiental e alto valor agregado. Para isso, é fundamental integrar universidades, institutos de pesquisa, governos e comunidades locais, priorizando um modelo de desenvolvimento que respeite a floresta e beneficie as populações da região.

Cristy Lopes:  “A revista científica do TCE-AM destaca temas que têm impacto direto na administração pública e na gestão de recursos. Como a produção de conhecimento técnico e acadêmico pode ajudar a equilibrar o uso das riquezas naturais da Amazônia com a melhoria dos indicadores de desenvolvimento humano na região?”

Yara AmazôniaA produção de conhecimento técnico e acadêmico é uma ferramenta poderosa para criar políticas públicas mais eficientes e sustentáveis. Por meio de estudos e análises fundamentadas, podemos orientar investimentos em áreas prioritárias, como educação, saúde e infraestrutura, sem comprometer os recursos naturais. A revista científica do TCE-AM, por exemplo, contribui para esse equilíbrio ao destacar práticas de governança, gestão fiscal e uso responsável dos recursos públicos. Esses insights ajudam os gestores a tomar decisões que beneficiem diretamente a população, promovendo o desenvolvimento humano e econômico de forma sustentável. É um ciclo virtuoso que combina transparência, eficiência e inovação.

Cristy Lopes: “Considerando os desafios da bioeconomia e o potencial da floresta em pé, como a integração de saberes tradicionais das populações amazônicas e o conhecimento científico pode contribuir para um modelo de desenvolvimento sustentável que realmente beneficie as comunidades locais?”

Yara AmazôniaA integração entre os saberes tradicionais e o conhecimento científico é o caminho mais promissor para construir um modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia. As populações indígenas e ribeirinhas têm um entendimento profundo da floresta, que precisa ser valorizado e incorporado às estratégias de bioeconomia. Quando aliamos esse conhecimento ancestral à ciência moderna, criamos soluções inovadoras que respeitam a natureza e geram renda para as comunidades. Isso inclui desde o manejo sustentável de recursos até a certificação de produtos que chegam aos mercados internacionais. Essa abordagem inclusiva não apenas protege a floresta, mas também fortalece as culturas locais e promove justiça social, elementos fundamentais para o desenvolvimento sustentável.
WhatsApp Image 2024 08 20 at 10.08.49

Artigos Relacionados

Inmetro reposiciona a regulação como aliada da competitividade na Amazônia

"Aproximação com o Polo Industrial de Manaus, expansão da...

Do silêncio à dignidade: dois anos de escuta, compromisso e transformação

"Dois anos de escuta que transformam silêncio em proteção,...

Facções na Amazônia transformam crimes ambientais em negócio lucrativo

Estudo revela como facções na Amazônia exploram crimes ambientais, ampliam lucros ilegais e intensificam conflitos e impactos socioambientais.

Entenda como o futuro do planeta passa pela mineração em terras indígenas

Mineração em terras indígenas cresce com demanda por minerais críticos e expõe conflito entre clima, economia e direitos territoriais no Brasil.