Impasse entre Petrobras e Ibama sobre exploração de petróleo na margem equatorial segue sem definição

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reafirma a postura técnica do Ibama em decisões sobre exploração petrolífera, enquanto o presidente Lula destaca a ambição de uma matriz energética 100% limpa para o Brasil. Silveira expõe avanço da eólica offshore.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reiterou na terça-feira (12) sua defesa ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela enfatizou que o órgão toma “decisões técnicas” e não “políticas”, lembrando a recente recusa do Ibama em permitir atividades exploratórias de petróleo na foz do Rio Amazonas, uma região da Margem Equatorial rica em potencial petrolífero.

Recusa e justificativas técnicas

Em maio, o Instituto rejeitou o pedido da Petrobras para perfurar na bacia da Foz do Amazonas, especificamente no bloco FZA-M-59. A negativa foi baseada em “inconsistências técnicas” para operar com segurança na nova área exploratória. A equipe técnica do Ibama apontou que a petroleira não forneceu uma avaliação ambiental de área sedimentar (AAAS), essencial para identificar zonas onde a extração de petróleo e gás seria inviável devido aos riscos e impactos ambientais significativos.

Blocos de exploracao localizados na Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas Imagem Ibama
Blocos de exploração localizados na Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas

Licenciamento e proteção ambiental

Em uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado sobre a exploração de petróleo no Amapá, Marina ressaltou que os processos de licenciamento do Ibama “não são obstáculos, nem facilitadores” para projetos. Ela argumentou que esses processos são essenciais para proteger o meio ambiente e garantir uma execução mais “econômica” das atividades. “O Ibama age com base em decisões técnicas, não políticas”, reforçou a ministra.

A decisão sobre a matriz energética

Marina também destacou que a decisão sobre a continuação da exploração de petróleo no Brasil não é responsabilidade do órgão ambiental ou de seu ministério. Essa decisão cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Como membro votante do conselho, o ministério terá uma posição sobre o assunto. Ela também mencionou a visão do presidente Lula de tornar a matriz energética brasileira 100% limpa, posicionando o Brasil como um grande exportador de sustentabilidade.

Marina Silva Lula Foto Sergio Lima AFP
Marina Silva e Lula – foto: Sergio Lima/AFP

Divergências internas sobre a exploração

A questão da exploração de petróleo na foz do Amazonas, situada no Estado do Amapá, tem sido motivo de debate interno no governo. Enquanto a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia veem com bons olhos a pesquisa e possível exploração sustentável na área, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima mostra resistência. Recentemente, após a cúpula do G20 na Índia, o presidente Lula afirmou que o Brasil continuará pesquisando a Margem Equatorial, independentemente das decisões do Ibama. Ele ressaltou a importância de explorar potenciais riquezas, mas também reconheceu a distância de 575 km da margem do Amazonas.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pressionou o órgão a acelerar a concessão de licenciamento ambiental para a estatal perfurar poços de petróleo na foz do Rio Amazonas. Silveira enfatizou a necessidade de agilidade para determinar a real capacidade de produção de petróleo e gás na região. “Precisamos de maior sensibilidade da direção do Ibama nessa questão da margem equatorial”, declarou o ministro após um evento sobre energia eólica em São Paulo.

Alexandre Silveira foto Lula Marques Agencia Brasil
Brasília (DF) 29/08/2023 Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, participam de audiência conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; e de Minas e Energia. Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Avanço na energia eólica offshore

Além da questão petrolífera, Silveira revelou planos para um marco legal da exploração de energia eólica em alto-mar até o final do ano. “Estou trabalhando diretamente com o Congresso Nacional para finalmente avançarmos nas discussões para estabelecer um marco legal para as eólicas offshore”, declarou.

Energia eolica offshore iStock
Energia eólica offshore | iStock

No próximo encontro do CNPE em dezembro, Silveira planeja refinar as normas sobre o tema, facilitando investimentos nessa área. “Pretendemos estabelecer um plano de ações que incluirá novas regulamentações e aprimoramentos no arcabouço regulatório existente. Nosso objetivo é proporcionar maior clareza no processo de cessão de áreas marítimas e formular políticas públicas para incentivar investimentos e o avanço dessa tecnologia no Brasil”, concluiu.

Com informações da Agência Brasil e InfoMoney

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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