Idesam e Bezos Earth Fund oferecem até R$ 345 mil para tecnologias da Amazônia

Com seis frentes de pesquisa, iniciativa do Idesam, com apoio do Bezos Earth Fund, prevê recursos para validar tecnologias e estimular startups que mantenham a geração de valor da biodiversidade na Amazônia.

Transformar borracha, óleos vegetais e resíduos de frutas em tecnologias capazes de ampliar a renda de comunidades amazônicas é a proposta do Desafio Bioinovação Amazônia. Gerido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam), o programa recebe investimentos do Bezos Earth Fund, fundo criado pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, e prevê até R$ 345 mil em recursos à equipe vencedora ao longo das etapas.

A iniciativa tem parceria com a Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e busca desenvolver soluções para os setores de alimentação, cosméticos e novos materiais. A previsão é concluir o ciclo entre abril e maio de 2027, com tecnologias que possam ganhar escala e chegar ao mercado.

O foco inclui ingredientes e processos vendidos de empresa para empresa, modelo conhecido como B2B. Em entrevista ao Estadão, o gerente de Inovação e ESG do Idesam, Paulo Simonetti, explica: “O desafio parte de um lugar de inovação aberta com a Amazônia, pensando na formação de tecnologias focadas no B2B (empresa para empresa)”, afirmou. “Entendemos que o mercado tem apetite por novos ingredientes derivados dessa biodiversidade que já tem cadeia produtiva já estruturada.”

A proposta aproxima o conhecimento científico das necessidades dos produtores e das exigências de compradores industriais. Natura e Symrise estão entre as empresas parceiras, segundo Simonetti. Para o Idesam, amadurecer as tecnologias é uma etapa necessária para viabilizar relações comerciais entre comunidades e grandes indústrias.

Seis frentes para agregar valor à produção

Os desafios foram definidos a partir da demanda por ingredientes amazônicos e da capacidade de fornecimento das comunidades. O programa contempla seis frentes:

  • Bioativos de óleos amazônicos: desenvolver compostos de andiroba, copaíba e buriti para mercados de maior valor.
  • Óleos funcionais: padronizar matérias-primas como copaíba, murumuru e babaçu.
  • Derivados da borracha: transformar o látex em biomateriais com maior valor comercial.
  • Castanha-do-brasil: reduzir perdas e melhorar o controle de qualidade, com processos de baixo consumo energético que favoreçam a exportação.
  • Amidos funcionais: produzir ingredientes para alimentos e cosméticos a partir do babaçu ou de outras fontes locais.
  • Resíduos de frutas: criar tecnologias para converter materiais descartados em produtos comercializáveis.

A atuação combina atividades remotas e presenciais em Manaus e em comunidades do Pará e do Acre. O Idesam pretende conectar pesquisas já existentes a aplicações que gerem renda para quem trabalha nas cadeias da biodiversidade.

Elementos da bioeconomia reunidos em composição ilustrativa sobre a valorização da biodiversidade amazônica promovida pelo Idesam.

Validação das tecnologias e criação de startups

O ciclo começou com uma chamada pública em abril de 2026. A primeira fase, concluída em julho, selecionou 50 participantes para formar duplas compostas por um mentor e um mentorado. O cronograma prevê o anúncio das dez melhores propostas em outubro.

Para novembro, estão programados 15 dias de imersão na Amazônia. Na terceira fase, cada projeto selecionado deverá receber R$ 100 mil para validar sua solução. Também estão previstas bolsas por seis meses, com valores mensais entre R$ 1,3 mil e R$ 7,5 mil.

Na etapa final, entre abril e maio de 2027, as três melhores propostas receberão prêmios de R$ 200 mil, R$ 150 mil e R$ 100 mil, respectivamente. Segundo o Idesam, esses recursos poderão servir como capital inicial para a criação de startups na região.

“Historicamente, a Amazônia foi basicamente um um território de extrativismo e todo o desenvolvimento tecnológico ficava fora. A idéia é justamente subverter essa lógica e trazer o desenvolvimento ainda no território. Queremos fundar negócios na Amazônia, para garantir o desenvolvimento e o aumento dessa capacidade de tecnologia e inovação no território”, afirmou Simonetti.

Bioeconomia como estratégia de conservação

O programa integra o conjunto de iniciativas apoiadas pelo Bezos Earth Fund na Amazônia brasileira. Em nota ao Estadão, a instituição informou ter destinado US$ 100 milhões a 33 projetos voltados à proteção da região e ao fortalecimento de bioeconomias locais sustentáveis.

Para o fundo, ampliar a renda de comunidades indígenas e ribeirinhas ajuda a sustentar sua permanência nos territórios e a proteção das florestas. A iniciativa gerida pelo Idesam busca contribuir para esse objetivo ao desenvolver tecnologias que melhorem a produção e o aproveitamento dos recursos da biodiversidade, mantendo mais etapas da geração de valor dentro da Amazônia.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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