Ibama nega divulgação de dados a cidadãos, contrariando Lei de Acesso à Informação

Levantamento feito pela agência de dados Fiquem Sabendo mostrou que a proporção de pedidos negados mais do que duplicou no governo Bolsonaro

O Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aumentou o sigilo sobre seus dados durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2019, primeiro ano do mandato, 1 em cada 5 solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação (LAI) foi negada pelo órgão. Isto é o que revelou um levantamento realizado pela agência de dados Fiquem Sabendo, especializada no monitoramento da execução da norma.

A LAI (Lei Federal nº 12.527), em vigor desde 2012, regulamentou o direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas. Em dez anos de vigência, ela ajudou a fortalecer as políticas públicas de transparência da União, estados e municípios. Ao menos até Bolsonaro chegar ao poder.

Em relação ao Ibama, dentre as perguntas não respondidas estão solicitações de acesso a dados de operações contra o desmatamento na Amazônia Legal, número de ações de fiscalização realizadas pelo órgão, gastos em fiscalização, informações sobre multas ambientais e sobre derramamento de óleo no mar.

Dentre as justificativas mais comuns do órgão para negar o acesso aos dados estão: a informação pedida está classificada como sigilosa (32%) e o pedido exige tratamento adicional dos dados, não tendo o órgão capacidade de processar toda informação pedida (15%).

“A proporção de pedidos negados mais do que duplicou desde o início da vigência da lei”, diz nota da organização. 

Segundo a agência de dados, um dos casos mais recorrentes é o de negar acesso a detalhes de multas ambientais aplicadas, sob a alegação de que o órgão não tem tempo para remover eventuais informações pessoais – estas, sim, sigilosas – contidas nos documentos.

O Ibama não é o único a tentar dificultar o acesso a informações de autuações ambientais. No ano passado, a Fiquem Sabendo mostrou que o ICMBio também tentou negar acesso a dados básicos de quem foi autuado em unidades de conservação, alegando que as informações seriam pessoais. Os dados só foram liberados após a agência entrar com recursos na Controladoria-Geral da União.

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Pacote ruralista pode enfraquecer combate ao desmatamento na Amazônia

Pacote ruralista aprovado na Câmara pode enfraquecer a fiscalização ambiental e ampliar riscos de desmatamento na Amazônia.

“Esqueceram de combinar com os russos”

“Direito social sem cálculo, sem transição e sem responsabilidade...

AMAZÔNIA 4.0 -Energia, Território e Soberania

Amazonia 4.0 — A Amazônia começa a ocupar um novo...

Sem soberania econômica, a Amazônia continuará sendo explorada

"Soberania econômica exige integrar a Amazônia por dentro, fortalecer suas...