Grupo de Trabalho finaliza relatório e recomenda manter separados o Ibama e ICMBio

Relatório foi publicado nesta sexta-feira na página oficial do Ministério do Meio Ambiente. No final de julho, o MPF entrou com ação civil pública contra a fusão

Sem assinatura e com menção ao mês de agosto, o grupo de trabalho criado pela Portaria nº 524/2020 para estudar a proposta de fusão entre o ICMBio e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou nesta sexta-feira (24) o relatório final do GT recomendando que as autarquias “devem ser fortalecidas”. O relatório descarta a possibilidade de extinção do ICMBio e da incorporação das atividades do órgão às atribuições do Ibama

Criado no início de outubro do ano passado, o grupo se reuniu 26 vezes, como ((o))eco havia adiantado em maio – do dia 08 de outubro até o dia 18 de maio. Não houve mais encontros após a Justiça afastar algumas autoridades implicadas no inquérito que investiga a flexibilização de regras na exportação de madeira. Em 23 de junho, Ricardo Salles pediu exoneração do cargo. Um mês depois, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal para obrigar o Ministério do Meio Ambiente a não decidir sobre a possível fusão do Ibama com o ICMBio antes de incluir nas discussões a sociedade civil e consultar as populações afetadas.

Com a autorização dada pelo Ministério da Economia para a realização de um novo concurso público, feita no início de setembro, o plano do governo de extinguir o ICMBio já parecia descartado. O relatório publicado hoje, com 34 páginas, apenas confirma isso.

“Com o atual cenário de restrições orçamentárias, de redução de força de trabalho e crescentes pressões sobre o meio ambiente, impõem-se aos órgãos governamentais ações conjuntas que propiciem redução estrutural, emprego de inteligência, de cooperação e de utilização eficiente dos recursos, sem perder de vista os resultados esperados pela sociedade no momento. Tais ações poderão enxugar estruturas da atividade meio com maior destinação de força de trabalho e recursos para as atividades finalísticas das Autarquias”, conclui o relatório.

Histórico do GT

Sem especialistas em conservação e composto por seis oficiais da Polícia Militar (PM) de São Paulo e um civil, o grupo de trabalho foi criado pela Portaria nº 524/2020 para estudar a proposta de fusão entre o ICMBio e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), reunindo-se, em média, uma vez a cada oito dias desde 8 de outubro de 2020.

No final de janeiro, ((o))eco publicou uma reportagem, assinado pelo repórter José Alberto Gonçalves Pereira, sobre as atas das primeiras 8 reuniões, obtidas por ((o))eco via Lei de Acesso. A reportagem mostrava que as discussões estavam sendo feitas a toque de caixa, sem transparência e com a participação apenas de diretores e presidentes das autarquias, a maioria esmagadora composta por profissionais vindos de fora da área ambiental, oficiais da ativa e da reserva da Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo e da reserva do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (DF). Apenas um profissional, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, era civil e tinha experiência na área.

Em fevereiro, logo após a realização de uma audiência pública do MPF, que debateu a fusão dos dois órgãos, o GT passou duas semanas sem se reunir. Retornou aos trabalhos no dia 22 de fevereiro e não parou até maio.

Leia o relatório na íntegra clicando aqui

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Amazonas enfrenta a fumaça com planos ainda inconclusos

Com a poluição acima do limite da escala em...

Área queimada no Pantanal cresce quase 180% em Mato Grosso do Sul

Área queimada no Pantanal cresce 179,7% em Mato Grosso do Sul até 17 de setembro de 2026, enquanto Cerrado e Mata Atlântica registram queda.

A draga e a falsa inocência dos argumentos fáceis

“A Amazônia precisa de transporte hidroviário, mas isso não...

Garimpo no Rio Madeira: uma licença de 2017 não pode ignorar a Amazônia de 2026

Decisão judicial ressuscita autorizações antigas para exploração de ouro...

Conheça as propostas dos candidatos ao governo do Pará 2026

Conheça as propostas dos candidatos ao governo do Pará para bioeconomia, desmatamento, transição energética, povos indígenas e adaptação climática.