Embora cerca de 90% das cooperativas e associações envolvidas nesse modelo adotem práticas de produção sustentável, apenas 10% conseguem acesso a crédito ou financiamento, evidenciando uma lacuna crítica no apoio financeiro à sociobioeconomia brasileira
O Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) lançou, no último mês, o Programa Mercados Responsáveis (PMR), uma iniciativa voltada à valorização da sociobioeconomia e a criação de conexões comerciais sustentáveis entre negócios comunitários e compradores dos setores público e privado. O lançamento ocorreu durante a Feira NaturalTech, em São Paulo, com direito a estande expositivo e um painel com especialistas.
Segundo Mateus Rocha, coordenador do programa, o objetivo do PMR é catalisar soluções para compras responsáveis de produtos e insumos oriundos da sociobiodiversidade brasileira. A ideia é promover conservação dos biomas brasileiros enquanto garante geração de renda justa no meio rural.

O que é a sociobioeconomia?
Segundo definição do InfoAmazônia, a sociobioeconomia é um conceito que reconhece o modelo das comunidades tradicionais para garantir a biodiversidade e, assim, se apresenta como uma alternativa à forma como a sociedade se desenvolveu historicamente.
“Mais de 50% das áreas protegidas da Amazônia estão aos cuidados de povos e comunidades tradicionais, povos indígenas e da reforma agrária. Se considerarmos os agricultores familiares, esse percentual chega a 60%. Essa é a importância de dar viabilidade e governança econômica e territorial para essas populações. Impulsionar os negócios comunitários é essencial para combater à crise climática”, explica Fabíola Zerbini, diretora executiva da Conexsus, em matéria do CicloVivo.
Entraves para os negócios sustentáveis
Dados do Desafio Conexsus revelam tanto o potencial quanto os obstáculos enfrentados pelos negócios comunitários (NCs) no Brasil. Embora cerca de 90% das cooperativas e associações envolvidas nesses empreendimentos adotem práticas de produção sustentável, apenas 10% conseguem acesso a crédito ou financiamento, evidenciando uma lacuna crítica no apoio financeiro à sociobioeconomia brasileira.
Além disso, apenas 35% conseguem alcançar o mercado de varejo, o que limita significativamente sua visibilidade e escalabilidade. Um dos maiores entraves identificados é a logística, que dificulta o escoamento da produção e restringe a participação dos produtos da sociobiodiversidade em mercados maiores e mais lucrativos.

“O PMR atua para estruturar arranjos comerciais sustentáveis, entendendo que nem todo NC consegue fornecer isoladamente. Por isso, fortalecemos o conjunto: com papéis claros, é possível dissolver problemas e superar gargalos como a logística ou a antecipação de recursos para colheitas”, pontua Rocha.
