Garimpeiros matam líder indígena na Terra Yanomami

Mais um episódio de violência e morte na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. De acordo com a Hutukara Associação Yanomami, cerca de cinco pessoas da etnia Xirixana foram atacadas na madrugada do último domingo (2/10) na comunidade Napolepi por um grupo de garimpeiros. O ataque resultou na morte de um líder indígena e deixou um adolescente ferido. 

Segundo os indígenas, eles estavam em uma cantina quando foram abordados pelos criminosos. Os tiros dos garimpeiros atingiram Cleomar Xirixana na testa, matando-o na hora, e também um adolescente alvejado no rosto e na nuca. Para escapar dos agressores, alguns indígenas pularam no rio Uraricoera para se esconderem.

Não se sabe o que motivou o ataque. Segundo a Hutukara, o crime pode estar relacionado ao sumiço de uma caixa de bebida alcóolica; os garimpeiros acusam os indígenas de cometerem o furto.

Garimpeiros na comunidade Napolepi

“[Os indígenas] informaram também que os garimpeiros instalados próximos à comunidade de Napolepi negaram terem organizado o ataque, e que este teria sido promovido por garimpeiros membros da facção que estão instalados rio acima”, diz a nota, citada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O Brasil de Fato deu mais informações sobre o caso.

Ainda na Terra Yanomami, o g1 informou da detenção de um garimpeiro na última 4ª feira (5/10) que portava cerca de 970 gramas de ouro extraído ilegalmente da reserva. De acordo com a Polícia Militar de Roraima, que fez a apreensão, o garimpeiro atuaria na região do Baixo Mucajaí, em uma área de extração ilegal de ouro. Os pacotes apreendidos do metal foram estimados em mais de R$$ 277 mil.

Em tempo: O Brasil produziu mais de 52 toneladas de ouro com algum traço de ilegalidade em 2021, a maior parte extraído diretamente da Amazônia. O volume, 25% maior que em 2020, representa um novo recorde no país, de acordo com um estudo do Instituto Escolhas. O Brasil vende praticamente todo o ouro que produz no exterior, e seus principais compradores são Canadá (31%), Suíça (25%) e Reino Unido (15%). “Isto significa que estes países não têm como não serem contaminados pelo ouro manchado com sangue indígena ou crimes ambientais na Amazônia”, afirmou Larissa Rodrigues para o pela SwissInfo.

Texto publicado originalmente por CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A riqueza que Manaus distribui ao Brasil

Os efeitos interestaduais da Zona Franca começam a entrar...

O El Niño e a hora de rever nossa relação com a Amazônia

A seca que se aproxima exige providências emergenciais. Mas...

A Amazônia tem água. Mas por quanto tempo haverá água segura?

”Alerta da Academia Brasileira de Ciências expõe um paradoxo...

Amazonas: a hora de somar esforços

Unidade não exige pensamento uniforme. Exige apenas maturidade suficiente para reconhecer que certos desafios são maiores do que qualquer grupo, governo ou instituição.

Trump amplia ofensiva contra regras ambientais da Europa

EUA pressionam pela flexibilização das regras ambientais da União Europeia e alegam impactos sobre empresas e o comércio transatlântico.