O crime organizado tem gerado indíces de homicídios superiores à média do país em áreas da Amazônia Legal
Um novo estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, uma das agências especializadas da ONU, revelou que a violência relacionada à disputa entre facções do crime organizado na Amazônia tem gerado índices de homicídios superiores à média nacional na região. Em 2021, enquanto o Brasil registrou cerca de 21 mortes por 100 mil habitantes, os municípios da Amazônia Legal apresentaram uma média próxima de 30 homicídios por 100 mil.
O relatório aponta que, embora seja uma questão regional, o Brasil — que abriga 60% da Floresta Amazônica — está entre os países mais afetados pela conexão entre crimes ambientais, tráfico de drogas e mineração ilegal, reforçando a complexidade dos desafios enfrentados na região.

Narco-desmatamento
O estudo também revela que o crime organizado tem utilizado atividades como a especulação fundiária, a agropecuária e o desmatamento ilegal para lavar dinheiro do tráfico de drogas — um processo que os pesquisadores batizaram de “narco-desmatamento”.
Segundo o relatório, essa dinâmica criminosa se infiltra em cadeias produtivas legais, tornando-se difícil de rastrear e combater. Um exemplo é o da madeira extraída ilegalmente, que pode entrar no mercado formal por meio de licenças fraudulentas ou suborno de agentes públicos, o que evidencia como crimes ambientais e econômicos estão profundamente entrelaçados na região amazônica.

Mineração ameaça terras indígenas
O relatório da ONU aponta que a mineração em terras indígenas cresceu de forma alarmante entre 2011 e 2021, com um aumento de 625%. Nessas áreas, o desmatamento é de uma a três vezes maior do que em terras indígenas onde não há mineração.
Apesar desse cenário preocupante, o documento destaca um dado positivo: nos últimos três anos, houve uma redução significativa no desmatamento da Amazônia Legal, sinalizando avanços importantes na preservação da floresta.
