Empresas e sociedade civil pedem mais ambição em meta climática e combate ao desmatamento no Brasil

Representantes de mais de 280 entidades brasileiras do agronegócio, da sociedade civil, do setor financeiro e da Academia manifestaram sua insatisfação com o grau de ambição dos compromissos climáticos e de combate ao desmatamento no Brasil. Em carta divulgada nesta 5ª feira (8/4), a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura cobrou que o país tenha uma ambição “expressiva e permanente”, com vistas a ampliar as metas de redução de emissões dentro da nova versão da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil para o Acordo de Paris. O documento destacou que a NDC apresentada pelo governo Bolsonaro no final de 2020, na prática, reduziu o nível de ambição das metas climáticas brasileiras, o que pode comprometer a atração de investimentos internacionais e mecanismos do mercado de carbono. “O Brasil só vai receber apoio e parcerias externas por esforços de mitigação como contrapartida a avanços efetivos na agenda climática. Para tanto, é fundamental o país alcançar uma significativa redução de emissões de GEE, trabalhar pela eliminação do desmatamento ilegal de seus biomas e combater a ilegalidade”, diz a carta.

Para elevar a ambição climática do Brasil, a Coalizão assinalou que ações imediatas para reduzir o desmatamento poderão trazer resultados importantes para restaurar a imagem internacional do Brasil e a confiança de governos, empresas e investidores externos. A carta retomou uma proposta apresentada pelo grupo em setembro passado que elencou seis ações para uma queda rápida do desmatamento: 1) retomada e intensificação da fiscalização, com rápida e exemplar responsabilização pelos ilícitos ambientais identificados; 2) finalizar a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e suspender registros que incidem sobre florestas públicas; 3) destinação de 10 milhões de hectares à proteção e uso sustentável; 4) concessão de financiamento sob critérios socioambientais; 5) total transparência e eficiência às autorizações de supressão da vegetação; e 6) suspensão de todos os processos de regularização fundiária de imóveis com desmatamento após julho de 2008. A carta foi repercutida por veículos como CNN BrasilEstadãoÉpocaMetrópoles e TV Globo, entre outros.

Em tempo: Uma das medidas apresentadas pelo Brasil em sua primeira NDC para o Acordo de Paris em 2015 (e ignorada por Bolsonaro e Salles na nova versão) é a recuperação de 12 milhões de hectares de florestas. Seis anos depois, apenas 0,6% do objetivo foi atingido, segundo dados do Observatório da Restauração e Reflorestamento, o que reforça a urgência do país avançar com essas ações até o final desta década. O portal Um Só Planeta, do Grupo Globo, fez um apanhado geral da situação dos esforços de reflorestamento e recuperação de paisagens no Brasil e os caminhos para que possamos acelerar e ampliar essas iniciativas.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Anotações para o novo lustro da economia brasileira – 2026 a 2030

Comentários de Alfredo Lopes - BrasilAmazoniaAgora O Brasil entre...

SOS Amazônia: o Super El Niño já começou

Super El Niño pode agravar secas, calor extremo e pressão sobre rios e comunidades na Amazônia, reforçando a urgência da adaptação climática.

Dia da Indústria: a força produtiva da Amazônia e o protagonismo feminino na construção do futuro

Entre desafios logísticos, pressão internacional e transição climática, a indústria do Amazonas consolidou uma experiência singular de desenvolvimento associado à floresta em pé, com mulheres assumindo papel cada vez mais estratégico nos espaços de liderança, inovação e transformação regional.

Quem vai pagar a despesa na confraternização da escala 6×1?

A própria indústria compreende que trabalhadores mais descansados, valorizados...