Em conversa com Papa Francisco, bispos destacam violência na Amazônia

O bárbaro assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari segue repercutindo no exterior. Na semana passada, um grupo de 17 bispos da Amazônia foi recepcionado pelo Papa Francisco no Vaticano, quando denunciaram a explosão de destruição e abusos e violência contra os Povos Indígenas e os defensores da floresta. 

Um deles, Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, destacou o modo como a omissão do governo federal impulsiona a criminalidade na Amazônia. “Os invasores dos territórios indígenas se sentem autorizados pela autoridade maior, o presidente da República, com seus discursos anti-indígenas”, disse a Assis Moreira no Valor.

Para Bernardo Mello Franco, n’O Globo, D. Paloschi ressaltou a preocupação do Sumo Pontífice com a situação da Amazônia e de suas populações tradicionais. “Ele [Papa Francisco] foi incisivo. Disse que não podemos ficar indiferentes diante da violência contra a floresta e os Povos Originários (…) A vida na Amazônia está por um fio. Estamos vivendo numa terra sem lei. O que vale hoje é a lei do mais forte”.

No Financial Times, o jornalista Bryan Harris destacou o impacto do assassinato cruel de Bruno e Dom sobre a imagem do Brasil no exterior. O artigo lembra que o país lidera o ranking mundial de mortes ligadas a conflitos fundiários e ambientais, com a maior parte destes acontecendo na Amazônia. “As redes criminosas violentas se tornaram encorajadas em seus ataques aos defensores das florestas e isto mina radicalmente a confiança no atual governo que continuou a promover a legislação antiambiental”, disse Åsa Wallenberg, diretora executiva da Storebrand Fonder, uma gestora de ativos sueca.

Na Folha, Thiago Bethônico destacou a preocupação do CEO da Michelin na América do Sul, Feliciano Almeida, com a má fama que o país está adquirindo no exterior por conta da destruição ambiental: “Sempre falamos que temos de tomar cuidado com o Made in Brazil (…) Qualquer produto brasileiro pode vir a ser barrado se os países quiserem nos taxar por alguma questão ecológica”.

Texto publicado originalmente em Clima INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

EUA articula apoio militar ao Peru contra redes criminosas na Amazônia

Presença militar dos EUA na Amazônia envolve cooperação com o Peru, troca de inteligência e combate a cartéis e à mineração ilegal.

Incêndios na Amazônia se intensificam com El Niño, alerta NASA 

Incêndios na Amazônia avançam com a seca associada ao El Niño. NASA alerta para temporada prolongada.

Seca ameaça a navegação na Amazônia e eleva o risco de fogo no Pantanal

Seca na Amazônia reduz níveis dos rios, ameaça o abastecimento ribeirinho e pode se agravar com o El Niño, alerta especialista.

Em Manaus, Flávio Bolsonaro promete “tomar conta da floresta” e transformar riquezas da Amazônia

Flávio Bolsonaro promete combater queimadas e transformar riquezas da Amazônia em benefícios à população durante ato eleitoral em Manaus.

Amazônia, momento de decisão e de escolha

"Transformar floresta em pasto e rios em territórios de...