A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas
Com a Zona Franca de Manaus, foi criada, de fato, uma simbiose econômica com um centro comercial, industrial e agropecuário, cada um obedecendo suas características e limitações próprias.
O debate da segurança jurídica tem apontado aquilo de que precisamos para manter, adensar, diversificar e interiorizar o desenvolvimento e resguardar investimentos. São detalhes e nuances compartilhados permanentemente com os parlamentares do Estado e os da Câmara Federal, diretamente empenhados na distinção de descaminhos e descaminhos que possam tomar o debate da reforma tributária no Congresso Nacional.
Manter a floresta em pé, com a oferta de postos de trabalho da Zona Franca de Manaus, significa assegurar chuva para o Centro-Oeste (pela manutenção dos rios voadores) e seu decisivo agronegócio e abastecimento dos reservatórios do Sudeste, que servem a população regional e propicia a energia limpa da hidroeletricidade. E o que deve ser mudado na estrutura e funcionamento da ZFM para que o programa diminua paulatinamente sua dependência de compensação fiscal.
Quando a família de José Cruz decidiu, em 1945, implantar uma indústria de bebidas, inicialmente baseada no sagrado fruto amazônico do Guaraná, havia um movimento em Manaus para reativar a economia da borracha. Restara um vazio com o fim do conflito mundial e com a debandada dos americanos, que haviam - num esforço de guerra - financiado o resgate do látex, essencial para fazer rodar suas máquinas de guerra. Um dos entusiastas dessa façanha era o visionário Cosme Ferreira, que havia criado três empresas.
Os aportes da Indústria da ZFM para a manutenção da UEA, o maior legado para educação de nível superior na Amazônia, e a certeza do melhor retorno para um investimento na Ciência e Tecnologia que começou há duas décadas. A Universidade do Estado do Amazonas recebeu R$ 4,7 bilhões para seu custeio entre 2011 a 2022. É a maior universidade multi-campi do Brasil e está presente em todos os municípios do Estado.
A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas