Ao combinar o paradigma proposto por Samuel Benchimol com as quatro características que identificamos como fundamentais para o desenvolvimento sustentável da Amazônia — a complexidade do bioma, a vulnerabilidade social, a inserção periférica e a pressão para o desmatamento —, torna-se evidente que os desafios são imensos e interconectados.
O Instituto Amazônia+21 está no caminho certo ao propor soluções criativas e inovadoras para os desafios da região. No entanto, é necessário ampliar sua abordagem, incorporando de forma mais ativa os atores locais, especialmente as entidades associativas e a comunidade científica, bem como priorizar a educação como ferramenta fundamental para a formação de uma nova consciência ambiental.
Educação e Ciência, os pilares do futuro sustentável da Amazônia
Há mais de três décadas, o Amazonas permanece isolado por sua única ligação rodoviária com o restante do Brasil, a BR-319, que está travada devido a questões ambientais e políticas. Enquanto isso, o potencial de nossos rios como hidrovias, uma solução evidente para enfrentar as eventos climáticos extremos, é sistematicamente postergado. A complexidade das necessidades logísticas da Amazônia é tratada com descaso, e o desenvolvimento da região é frequentemente marginalizado, enquanto críticas são dirigidas à sua planta industrial, a Zona Franca de Manaus, que contribui significativamente para a economia regional e nacional.
No contexto do Polo Industrial de Manaus, cabe à Comissão ESG do CIEAM garantir que essas políticas se traduzam em mudanças concretas e duradouras. A ação proativa e o comprometimento contínuo são essenciais para evitar que o discurso pró-equidade caia em descrédito, fortalecendo o papel das empresas da região como protagonistas na agenda de sustentabilidade e inclusão social
As sugestões de Paulo Artaxo e da comunidade científica são claras, realistas e urgentes. Elas oferecem um roteiro para reverter o quadro atual e evitar uma catástrofe climática ainda maior. O Brasil, em chamas no momento, tem a chance de se reposicionar como um líder global nas questões ambientais, mas isso exigirá coragem política e um compromisso real com a sustentabilidade.