Desmatamento tornou Cerrado mais quente e seco, com prejuízos à agricultura

O avanço do desmatamento no Cerrado está cobrando um preço alto para o bioma, é um prejuízo que deve atingir diretamente o agronegócio que lá se assentou. Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado nesta semana na revista Global Change Biology concluiu que a perda da vegetação resultou em um aquecimento médio de até 3,5ºC nos últimos 15 anos. Além de mais quente, o Cerrado também ficou mais seco, já que a redução de área verde está criando um déficit hídrico, com menos chuvas caindo na região.

Desmatamento

Cerca de 46% da cobertura original do Cerrado já se perdeu, entre áreas de vegetação, savanas e campos. O desmatamento propriamente dito foi responsável pelos piores resultados em termos de aquecimento e queda na precipitação: nas áreas florestais convertidas em lavoura e pasto, ocorreu um aumento médio de 3,5ºC na temperatura e uma perda de 40% na evapotranspiração (umidade devolvida pelas plantas à atmosfera).

Ao mesmo tempo, a maior parte do desmatamento (61%) aconteceu nas savanas, substituídas por plantações ou pasto para o gado. Essa substituição, sozinha, resultou em um aumento médio de 1,9ºC em regiões do Cerrado, com queda de até 27% na umidade média anual.

Já as perdas nas formações campestres responderam por um aquecimento de até 0,4ºC, e uma queda média da evapotranspiração (umidade devolvida pelas plantas à atmosfera) de 15%.

“Os resultados surpreenderam ao indicar os impactos significativos não somente da conversão de formações florestais, mas também das formações savânicas e campestres, que recebem menos atenção quanto à sua conservação e relevância para a estabilidade climática”, afirmou à Deutsche Welle a cientista Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), uma das autoras do estudo.

“As transformações em larga escala no Cerrado começam a alterar condições que são determinantes para o sucesso da agricultura, como a temperatura superficial e o retorno de umidade para a atmosfera”.

O Globo também repercutiu os resultados do estudo.

Em tempo 1: N’O Globo, Eliane Oliveira informou que o clima mais adverso começa a afetar o agronegócio brasileiro. Um dos principais indícios desse impacto está no valor total das indenizações pagas pelo ministério da agricultura no âmbito do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR): no 1º semestre, R$ 7,7 bilhões foram destinados aos produtores como indenização, um recorde para o período. Para comparação, no 1º semestre de 2021, o ministério desembolsou R$ 1,7 bilhão; já durante todo aquele ano, estes gastos ficaram em R$ 5,4 bilhões.

Em tempo 2: O incêndio que atinge o Parque Nacional de Brasília segue desafiando bombeiros e brigadistas de órgãos ambientais. De acordo com o ICMBio, até a última 3ª feira (6/9), o fogo tinha consumido mais de 2 mil hectares. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal está apoiando os esforços de combate às chamas e a investigação sobre as causas do incêndio.

Texto publicado originalmente por CLIMA INFO

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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