Descoberta na Amazônia peruana nova espécie de rã: cor de chocolate, ela tem um nariz parecido com o da anta

Por Suzana Camargo

Ela já era velha conhecida dos povos indígenas da comunidade de Tres Esquinas, que a chamavam de rana danta, na tradução do espanhol para o português, rã-anta. Mas como vive embaixo do solo, até hoje cientistas não tinham conseguido descrever a espécie. Todavia, recentemente, durante uma pesquisa de campo, um grupo de biólogos de vários países conseguiu encontrar o pequeno anfíbio, que tem entre 1 e 2 cm e cor de chocolate.

Foi com a ajuda de guias locais e através do coaxar da rã que os pesquisadores a localizaram em áreas de turfas, vegetação encontrada geralmente em pântanos e também em montanhas, na bacia de Putumayo, no Peru, uma região que ainda está protegida do desmatamento e que tem um rio de curso livre que a cruza, o Putumayo.

“Podíamos ouví-las embaixo do solo, fazendo croac, croac, croac, e parávamos, apagávamos as luzes, vasculhávamos e depois ouvíamos de novo. Depois de algumas horas, uma saltou de sua pequena toca e começamos a gritar: ‘Alguém pegue!’”, relembra Michelle Thompson, cientista do Keller Science Action Center do Chicago’s Field Museum.

Após a realização de exames de DNA e análises da vocalização do animal para se ter a certeza de que aquela era realmente uma nova espécie, a rã-anta foi batizada com o nome científico de Synapturanus danta.

“As rãs desse gênero estão espalhadas por toda a Amazônia, mas como vivem no subsolo e não podem ir muito longe cavando, as áreas em que estão distribuídas são bastante pequenas. A forma do corpo e o aspecto geral parecem estar adaptados ao solo macio da turfeira, ao invés da forma robusta e mais larga das espécies de outros ambientes”, explica Germán Chávez, pesquisador do Instituto Peruano de Herpetología.

De acordo com os cientistas, a rã-anta é vital para o seu ecossistema, pois ao escavar, se alimentar e colocar seus ovos no solo, contribui também para a ciclagem de nutrientes e a alteração de sua estrutura. “Ela é um exemplo da diversidade oculta da Amazônia, e é importante documentá-la para entender a importância desse ecossistema”, ressalta Michelle.

ra anta 2 conexao planeta
A minúscula rã-anta tem o tamanho de uma moeda

*Com informações do Field Museum of Chicago

Texto publicado originalmente em Conexão Planeta

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...