Cultivos não se beneficiam com o aumento do CO2

Algumas culturas não se beneficiam com o aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2. O motivo está ligado ao processo de fotossíntese da planta, identificou estudo publicado no jornal ‘Plant, Cell & Environment‘.

As emissões humanas, originadas da queima de combustíveis fósseis e da alteração no uso da terra, tem liberado dióxido de carbono para a atmosfera. Com isso, as concentração do gás sobem, intensificando o efeito estufa e provocando o aquecimento global.

Acreditava-se que o aumento do CO2 atmosférico também tivesse outro efeito. Uma vez que as plantas utilizam o CO2 na fotossíntese, supunha-se que maiores concentrações atmosféricas favoreceriam o crescimento de alguns tipos de plantas, mas não de outras.

Plantas C3 e plantas C4

Em relação ao processo de fotossíntese, as plantas se dividem em dois grupos. O primeiro, formado por espécies como a soja, o arroz e todas as árvores, são denominadas de C3. Elas fixam o carbono do CO2 absorvido do ar em uma molécula de carboidrato que contém três átomos de carbono.

O segundo grupo, incluindo espécies como o milho, o sorgo e a cana-de-açúcar, é denominado de C4. Na fotossíntese, as plantas desse grupo fixam o carbono do CO2 em uma molécula de carboidrato que possui quatro átomos de carbono.

Em média, as safras de cultivos de plantas C4 apresentam produtividade 60% superior a plantas C3.

Pesquisas anteriores investigaram a produtividade de cultivos sob condições elevadas de CO2. Os resultados indicaram que as safras de plantas C3 se tornariam mais produtivas com o aumento das concentrações atmosféricas, enquanto as plantas C4 não experimentariam o mesmo efeito.

Plantas C4 não adaptadas ao aumento do C02

O estudo revisou a literatura científica sobre a resposta das plantas C4 ao aumento do CO2 atmosférico. Os cientistas analisaram um conjunto de dados do processo de fotossíntese de 49 espécies de plantas C4.

Verificou-se que as plantas C4 mostravam uma faixa preferencial de CO2 atmosférico. Experimentos com baixas concentrações, em valores bem abaixo do nível pré-industrial, as plantas apresentaram limitações para a realização da fotossíntese. Nessas condições, diminuía a eficiência da enzima utilizada pela planta no processo.

Ao mesmo tempo, experimentos com concentrações atmosféricas de CO2 nos níveis atuais também revelaram limitações da fotossíntese em planta C4. Dessa vez, o fator era a pequena capacidade da planta em disponibilizar moléculas de três carbonos em quantidade suficiente.

Os resultados sugeriram, portanto, que culturas de plantas C4 estariam adaptadas às condições do período pré-industrial. Elas não conseguem aproveitar o CO2 extra na fotossíntese.

De acordo com os cientistas, é possível explorar alternativas para que os cultivos de plantas C4 ganhem produtividade no futuro. Para tanto, será preciso aprimorar outros processos ligados à fotossíntese.

Em um futuro de aquecimento, é recomendável aumentar a resiliência de cultivos e plantas.

Fonte: Ciência e Clima

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Fim do “eco-friendly” genérico: a partir de 27/09, a Europa exige prova para alegações ambientais

Regras da UE contra o greenwashing exigem comprovação de apelos ambientais e afetam a venda de produtos ao consumidor europeu.

O Brasil que o mundo precisa é o país que o trumpismo pretende cancelar

"O alerta de Thomas Piketty, respeitável economista francês, amplia...

Flávio Bolsonaro promete flexibilizar regras ambientais e recebe apoio da bancada do agro

FPA apoia Flávio Bolsonaro por alinhamento às demandas do setor, candidato promete mais crédito rural e critica restrições ambientais.

Amazônia na mira: a política de intervenção dos EUA e os interesses por trás da guerra às drogas

"Washington declara interesse em recursos estratégicos, amplia suas opções...

“O dinheiro de Trump contra o STF e os interesses de Bolsonaro”

"O financiamento revelado pelo Guardian se soma às tarifas,...