Crise climática aumenta pressão por adaptação e sustentabilidade na produção agropecuária

Vale dar uma olhada na série especial de reportagens sobre Alimentação e Agricultura Sustentável produzida pelo Financial Times com o apoio do Rabobank. Ela mostra diferentes interfaces entre as mudanças climáticas e a produção agrícola no mundo. Uma das matérias explora como cientistas e a EMBRAPA estão apoiando a indústria de carne bovina a reduzir emissões de metano no Brasil, indicando que, se o país fizer o dever de casa, poderá cumprir pelo menos uma das metas que firmou durante a COP26, em 2021.

O Brasil é o quinto maior emissor de metano do mundo, segundo o Banco Mundial, e se comprometeu a reduzir em 30% suas emissões desse potente gás de efeito estufa até o final da década. O texto se restringe a boas práticas na redução do metano, mas não aprofunda a questão do desmatamento promovido pela produção agropecuária.

Outra reportagem da série aborda como o aumento das temperaturas médias está colocando em risco a saúde dos trabalhadores do campo em todo o mundo. Cresce a pressão para que os agricultores protejam a saúde de seus empregados, uma vez que estes ficam por horas sob o sol escaldante durante as colheitas e estão suscetíveis a episódios de estresse por calor e a doenças associadas à exposição às altas temperaturas. Um relatório mostra que 65 trabalhadores rurais dos EUA teriam morrido por causas associadas ao calor entre 2002 e 2021. No Brasil, onde até hoje ocorrem flagrantes de trabalhadores em situação análoga à escravidão, esperamos ver um dia um monitoramento semelhante ser realizado.

No Centro-Sul do país, a seca extrema e as ondas de calor de janeiro castigaram tanto os trabalhadores quanto as safras. Segundo a Confederação de Agricultura e Pecuária (CNA), os prejuízos já ultrapassam os R$ 70 bilhões. Paraná e Rio Grande do Sul contabilizam a maior parte das perdas, diz o Valor. O governo federal, no entanto, ainda faz cara de paisagem, sem apresentar soluções para os estados que sofreram com o clima adverso, incluídos na lista Minas Gerais, Bahia e Tocantins.

Em entrevista ao Estadão, a economista nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, diretora geral da Organização Mundial do Comércio, coloca mais uma camada de desafio relativa à produção de alimentos. Ela teme que a guerra na Ucrânia provoque uma nova crise alimentar no mundo.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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