Crime hediondo contra os aposentados: até quando o Brasil vai tolerar essa covardia?

Chega. Não dá mais para tratar com parcimônia o que é escárnio. O que está acontecendo com os aposentados e pensionistas do INSS é uma violência institucional, um crime hediondo contra a dignidade humana, um tapa na cara de todos que ainda acreditam em um país minimamente decente. É uma vergonha nacional. Uma infâmia que deveria levar às ruas, ao Congresso, aos tribunais e às manchetes uma única exigência: justiça já!

Esses homens e mulheres que agora aparecem como “vítimas de golpe” já vinham sendo golpeados há décadas — pelo abandono, pela miséria institucionalizada, pela indiferença dos governos. Eles recebem migalhas. Tentam sobreviver com parcos recursos que mal cobrem os custos de remédios, alimentação básica, transporte e dignidade.

São obrigados a enfrentar filas intermináveis por um atendimento médico, humilhações em agências bancárias, burocracia intransponível e silêncio estatal. E, como se tudo isso fosse pouco, agora são saqueados por esquemas criminosos que, cinicamente, nasceram dentro da própria estrutura que deveria protegê-los.

crime hediondo
Silhouette of man in hood with phone – iiievgeniy/Getty Images

Não é escândalo, é barbárie

Vamos parar de chamar isso de “escândalo”, como se fosse apenas mais um tropeço ético. Isso é barbárie. Isso é covardia institucionalizada. É um roubo cometido contra quem mais precisa e menos pode se defender. É o Estado brasileiro virando as costas — de novo — para os seus cidadãos mais vulneráveis, mais sofridos, mais honestos.

Quem frauda a aposentadoria de um idoso não comete um simples desvio de conduta: comete um crime contra a própria ideia de civilização. Quem lucra em cima da doença, da limitação física, da ignorância tecnológica e da solidão de um aposentado, é criminoso — e precisa ser tratado como tal, com cadeia e confisco dos bens, sem pena, sem jeitinho, sem impunidade.

A resposta precisa ser imediata e implacável

Não há tempo para joguinhos políticos. Não há desculpa técnica. Não há brecha para a postergação. O Brasil precisa agir agora. Com firmeza. Com transparência. Com responsabilidade. Com pressa. Porque cada dia que passa sem respostas, é mais um dia em que milhares de aposentados continuam sendo sangrados por dentro — física, emocional e financeiramente.

A justiça precisa atuar com todo o peso da lei. Mas o Executivo e o Legislativo têm, sim, responsabilidades. E não podem se esconder atrás da polarização idiota que contamina o país. Isso não é pauta de “esquerda” ou “direita”. Isso é pauta de vergonha na cara!

Eles merecem tudo — e recebem nada

Aposentados e pensionistas deveriam ser tratados como prioridade máxima. Como patrimônio vivo da nação. Como guardiões da memória, da história e do trabalho que ergueu esse país. Deveriam ter acesso integral à saúde, alimentação de qualidade, transporte digno, moradia segura, atividades culturais, atenção psicológica e lazer. E, no entanto, recebem migalhas. São esquecidos. São invisíveis. Agora, sequer têm garantido o mínimo: o respeito ao dinheiro que lhes é de direito. Foram transformados em carne barata para os abutres do sistema.

Este é o momento de gritar: basta!

O Brasil não pode continuar normalizando o absurdo. Não pode mais aceitar que seus idosos — aqueles que deram tudo por este país — sejam tratados como lixo social. É hora de colocar a indignação nas ruas, nas redes, no voto e nas instituições. Quem tem compromisso com o futuro precisa, antes, respeitar quem construiu o passado.

Belmiro Vianez Filho
Belmiro Vianez Filho
Empresário do comércio, ex-presidente da ACA e colunista do portal BrasilAmazôniaAgora e Jornal do Commercio.

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