Novo plano de combate ao desmatamento na Amazônia é elogiado por ONGs, que pedem urgência

A nova versão do documento, que conseguiu reduzir o desmatamento na Amazônia em 83% entre 2004 e 2012, estabelece diretrizes para incentivar atividades sustentáveis, integrar estruturas de inteligência e fiscalização no combate ao desmatamento, dar uso a terras públicas e ampliar a fiscalização.

O governo federal lançou nesta segunda-feira (5) o novo PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal), que recebeu uma boa recepção de organizações ambientalistas. As entidades elogiaram as metas estabelecidas, como o embargo de 50% das áreas desmatadas ilegalmente e o aumento do número de equipes de fiscalização.

Representantes de ONGs e especialistas, no entanto, ressaltam que a aplicação do plano é urgente e que o governo precisa reforçar sua articulação política para conseguir colocá-lo em prática.

O PPCDAm foi apresentado durante um evento governamental em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, contando com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, de outras autoridades e das viúvas do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, assassinados há um ano no Vale do Javari.

A nova versão do documento, que conseguiu reduzir o desmatamento em 83% entre 2004 e 2012, estabelece diretrizes para incentivar atividades sustentáveis, integrar estruturas de inteligência e fiscalização no combate ao desmatamento, dar uso a terras públicas e ampliar a fiscalização.

desmatamento na Amazônia  PPCDAm

Um dos objetivos é suspender ou cancelar, até 2027, todos os registros no CAR (Cadastro Ambiental Rural) que estejam sobrepostos a terras federais. Outra meta é embargar, ainda neste ano, 50% das áreas com desmatamento ilegal de floresta.

Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, o plano acertou ao sugerir a integração de ministérios e bases de dados. Uma das determinações é a produção de alertas diários de desmatamento e degradação florestal.

“Essa unificação permite, por exemplo, o trabalho remoto de fiscalização com embargo, sanções e multas, isso cria uma eficiência na aplicação que é muito importante”, afirmou Astrini. “Mas o que está dentro do plano não vai ser suficiente. O governo vai precisar atuar para que não haja a reversão das políticas no Congresso, o que ocorreu há duas semanas.”

Segundo Ane Alencar, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), era fundamental que o plano avançasse no combate à degradação e aos incêndios florestais, além de criar meios para atividades econômicas que não prejudiquem a floresta.

“A criação de alternativas econômicas pautadas no plano nacional de bioeconomia é importante, porque o PPCDAm não pode ser visto somente como um plano de comando e controle. A alternativa ao desmatamento é fundamental”, afirmou Alencar.

CESTOS DE ACAI EM ABAETETUBA PA MUNICIPIO PROXIMO A FOZ DO RIO AMAZONAS

O plano também prevê a contratação, por meio de concurso público, de 1.600 analistas ambientais para combater o desmatamento, além do desenvolvimento de meios de rastreamento da produção agropecuária, pontos destacados pelo WWF-Brasil.

“O WWF-Brasil espera agora que o novo PPCDAm seja implementado com urgência, em diálogo com comunidades tradicionais e povos indígenas, e que sirva de base também para que o setor privado adote metas ambiciosas para conter o desmatamento”, afirmou a organização.

O WWF-Brasil também ressaltou a urgência de uma revisão do plano de combate ao desmatamento no cerrado, prevista para iniciar em julho.

Além do anúncio do novo plano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu corrigir a NDC (contribuição nacionalmente determinada, em inglês), que é a meta de redução de emissões de gases estufa do país.

Trecho de floresta preservada em Mato Grosso ao lado de terreno desmatado para plantar soja foto Rogerio Assis

Segundo Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, o tempo para essa tarefa é curto.

“A meta vence em 2025, durante o governo Lula e no ano da COP30 [Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas], em Belém. Há uma urgência além do anúncio, que é positivo, mas gostaríamos de ter visto mais detalhes, que esperamos nos próximos dias”, afirmou Unterstell.

Ela enfatizou que o governo precisa não apenas corrigir os limites da pedalada do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas estabelecer metas mais ambiciosas. O Talanoa defende uma consulta pública para tornar a NDC mais transparente, pois isso seria um sinal para mercados e outros governos.

O Brasil tem até 29 de setembro para enviar o compromisso que será incluído em um relatório para a COP28, que ocorrerá em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, de 30 de novembro a 12 de dezembro.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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