Colônia de nós contra nós

“Tratar desigualmente os desiguais, com vantagem para os piores, é um caminho para romper a condição de subdesenvolvimento. A desigualdade econômica será rompida com liberdade para empreender, infraestrutura e vantagem tributária. Precisamos nos unir no entorno deste ideário”.

Augusto Cesar
Professor da UFAM

Augusto Cesar Barreto Rocha 

O mundo vivencia um enorme “nós contra eles”. Não é a primeira vez e a história relata com frequência a adoção deste método. Foi usado no nazismo, contra os judeus, foi usado em diferentes momentos contra estrangeiros, foi usado contra a direita, esquerda ou contra a religião do outro. Não faltam eventos onde o medo do outro é construído, ampliando o ódio ou a força para repelir o outro. O fato de ser diferente é suficiente. Há ainda o fenômeno global típico de áreas menos desenvolvidas: o nós contra nós.

Na nossa região é mais frequente o segundo fenômeno, onde não nos unimos. Ficamos sempre nós contra nós mesmos. A desunião é ótima para estimular o comando de fora. Dividir as nossas forças a partir das nossas diferenças é muito mais produtivo do que nos unir em torno de nossas semelhanças. 

Frente Amazônia 

Se a Amazônia se unisse em bloco, em todos os Estados da Amazônia Legal, de Roraima e Amapá até Tocantins, Rondônia e Matogrosso seríamos uma frente enorme e única, onde os interesses e necessidades seriam construídos em conjunto. Já há alguns arranjos nesta direção, tanto no ambiente acadêmico, como a Rede Bionorte, quanto no ambiente empresarial com a Frente Pró-Amazônia. Falta outra união ampla no ambiente político criar força legislativa, pois uma reforma tributária se avizinha.

Sabemos que São Gabriel da Cachoeira é diferente de Barcelos e que Abaetetuba é diferente de Santarém. Os problemas são diversos, mas as necessidades são tão grandes que poderíamos unir estas necessidades. Não faz sentido seguir com os menores IDH do país e com isolamento destes municípios que compõem nossa região. Construir uma forte integração de infraestrutura é uma necessidade que precisa ser enfrentada. Encontrar métodos de respeito ao meio ambiente e com presença de transportes sustentáveis e apropriados é urgente. 

Tratar desigualmente os desiguais 

Estamos na região com as menores densidades demográficas do país: Amazonas, Roraima, Mato Groso, Acre, Tocantins, Amapá, Pará e Rondônia, nesta sequência. O caminho para reverter as desigualdades regionais será uma condição tributária desigual com amplo investimento em infraestrutura. A reforma tributária igualando o Brasil como um todo é uma condição para manutenção da condição atrasada da Amazônia. Tratar desigualmente os desiguais, com vantagem para os piores, é um caminho para romper a condição de subdesenvolvimento. A desigualdade econômica será rompida com liberdade para empreender, infraestrutura e vantagem tributária. Precisamos nos unir no entorno deste ideário.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Artigos Relacionados

Idesam transforma 20 anos de atuação na Amazônia em manual para equipes de campo

Idesam reúne 20 anos de atuação na Amazônia em manual para fortalecer diálogo, escuta ativa e segurança jurídica com comunidades.

Desmatamento na Amazônia cai 35% e atinge menor área em 20 anos 

Desmatamento na Amazônia atinge a menor área para junho em 20 anos, com queda de 35% nos alertas registrados pelo Inpe.

El Niño tem 81% de chance de chegar a nível “muito forte” em 2026

El Niño pode atingir intensidade muito forte no fim de 2026, alerta NOAA, elevando riscos de calor, tempestades e mudanças nas chuvas.