8 cogumelos comestíveis da Amazônia que unem ciência e tradição

Além do valor culinário, cogumelos comestíveis da Amazônia ajudam a contar uma história de biodiversidade, conhecimento tradicional e inovação sustentável.

Na Amazônia, os fungos fazem parte de uma relação antiga entre floresta, alimentação e conhecimento tradicional. Os cogumelos comestíveis da Amazônia têm ganhado espaço em pesquisas que conectam segurança alimentar, biodiversidade e potencial econômico. 

Estudos liderados por nomes como a Profa. Dra. Noemia Kazue Ishikawa, do INPA, ajudam a documentar o uso dessas espécies por povos indígenas e ribeirinhos, mostrando que eles representam alimento, renda e valorização cultural.

Cogumelo Yanomami (Lentinula raphanica)

Conhecido como um “parente tropical” do shiitake, o Lentinula raphanica é um dos cogumelos amazônicos mais simbólicos. Tem aroma característico, associado ao rabanete, e é muito apreciado por povos indígenas, especialmente os Yanomami. Além do valor culinário, aparece como fonte de proteínas e aminoácidos essenciais, reforçando seu papel na alimentação tradicional. O Lentinula raphanica foi o primeiro cogumelo comestível da Amazônia a ser cultivado em toras de madeira em escala experimental de estudos do INPA. 

Cogumelo shimeji branco (Pleurotus albidus)

É encontrado em troncos e madeiras em decomposição. A sua textura macia e a versatilidade na cozinha permitem preparos cozidos, assados ou em molhos. Em comunidades rurais, espécies desse grupo podem funcionar como alternativa à proteína animal, especialmente em períodos de menor acesso à caça ou ao peixe.

Cogumelo-ostra rosa (Pleurotus djamor)

O Pleurotus djamor, conhecido como cogumelo-rosa, se destaca pela aparência e pelo sabor delicado. Assim como outros Pleurotus, cresce sobre madeira em decomposição e tem alto potencial para cultivo. Essa característica o aproxima de projetos de economia sustentável, que buscam aproveitar resíduos agroflorestais para gerar alimento, renda e reduzir desperdícios.

Shimeji marrom (Pleurotus pulmonarius)

Também associado a troncos e matéria orgânica em decomposição, o Pleurotus pulmonarius aparece entre as espécies de interesse para a Amazônia por sua identificação relativamente acessível e pelo potencial de cultivo. Na culinária, pode ser usado em preparos semelhantes aos de outros cogumelos-ostra, com textura agradável e capacidade de absorção de temperos.

Ploplolemö amo (Lentinus concavus)

Próximo ao gênero Lentinula, o Lentinus concavus é citado em estudos como parte da dieta dos povos Yanomami. A sua existência reforça a importância da etnomicologia, área que estuda a relação entre culturas e fungos. Mais do que uma “descoberta” científica, seu registro reconhece saberes tradicionais sobre coleta, preparo e consumo seguro na floresta.

Auricularia fuscosuccinea

A Auricularia fuscosuccinea aparece entre as espécies adicionais de cogumelos comestíveis da Amazônia. O gênero Auricularia é conhecido por cogumelos de textura gelatinosa, usados em diferentes tradições culinárias. Não é conhecido por um sabor forte, mas sim pela sua insipidez e capacidade de absorver temperos. Na região, sua menção em levantamentos reforça a diversidade de macrofungos com potencial alimentar e cultural ainda desconhecida pelo grande público.

Cogumelo-favo-de-abelha (Favolus brasiliensis)

Com formato característico em favos, marcado por poros bem definidos, o Favolus brasiliensis aparece com frequência em catálogos de macrofungos. Possui uma textura mais fibrosa, sendo ideal para preparos que exigem texturas mais sólidas, como conservas, desidratação (para moer e transformar em pó) ou cozimentos lentos.

Cogumelo do coco ou cogumelo porcelana (Oudemansiella canarii)

Frequentemente citado em inventários da biodiversidade amazônica, o Oudemansiella canarii é um fungo lignícola, ou seja, associado à decomposição da madeira. Essa característica é importante porque muitos cogumelos comestíveis da região podem ser cultivados em troncos, abrindo caminho para práticas de manejo sustentável em comunidades rurais e projetos de geração de renda.

O tema dos cogumelos comestíveis da Amazônia também ganhou visibilidade com obras como Ana amopö – Cogumelos Sanöma, livro premiado com o Jabuti que documenta o conhecimento Yanomami sobre coleta e preparo de cogumelos. O material reforça que o consumo seguro depende de identificação correta, seja pelo conhecimento tradicional ou análise técnica, já que a floresta também abriga espécies tóxicas.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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