Circulação do Atlântico em risco pode reduzir chuvas na Amazônia até o fim do século

Estudo mostra que o enfraquecimento da circulação do Atlântico pode reduzir as chuvas na Amazônia até 2100, impondo riscos inéditos ao equilíbrio climático global.

Um dos principais motores do clima terrestre, a circulação do Atlântico, conhecida como Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc, na sigla em inglês), pode sofrer um enfraquecimento inédito até o final do século, com impactos diretos sobre o regime de chuvas da Amazônia. A conclusão é de um estudo internacional publicado na revista Nature Communications, que combinou dados de campo e projeções climáticas para reconstituir a atividade desse sistema ao longo dos últimos 12 mil anos.

A circulação do Atlântico funciona como uma “esteira oceânica” que transporta calor e nutrientes, conectando águas tropicais superficiais ao Atlântico Norte profundo. Alterações nesse mecanismo sempre estiveram ligadas a mudanças abruptas do clima global. Segundo a pesquisa, nos últimos 6.500 anos a circulação permaneceu estável, mas a ação humana ameaça romper esse equilíbrio.

Mapa simplificado das correntes oceânicas globais, com destaque para a circulação do Atlântico.
Mapa das correntes oceânicas globais; circulação do Atlântico é vital para o clima terrestre. Foto: NASA.

Utilizando testemunhos de sedimentos marinhos e análises de elementos radioativos, os cientistas estimaram a intensidade da circulação do Atlântico com auxílio de modelos climáticos avançados. Os resultados indicam que as mudanças projetadas para 2100 não têm precedentes recentes.

O impacto mais preocupante recai sobre a Amazônia. O enfraquecimento da circulação do Atlântico tende a deslocar as chuvas equatoriais para o sul, provocando queda significativa das chuvas do norte amazônico, região mais preservada da floresta. “É justamente nessa região, até agora menos impactada, que a mudança climática poderá impor uma vulnerabilidade nova e dramática”, alerta Cristiano Mazur Chiessi, da USP, coautor do estudo.

O fenômeno também deve alterar o regime de chuvas em outras regiões tropicais, como África e Ásia, afetando inclusive o sistema de monções. Para os cientistas, o enfraquecimento da circulação do Atlântico pode configurar um ponto de não retorno climático, exigindo ações rápidas e coordenadas. A COP30, marcada para novembro em Belém, é considerada uma oportunidade decisiva para discutir medidas de mitigação da crise climática.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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