Cieam – 40 anos de história econômica na Amazônia

Wilson Périco é presidente do Cieam (Foto: Cieam/Divulgação)
Wilson Périco é presidente do Cieam (Foto: Cieam/Divulgação)

Wilson Périco (*) [email protected]

Formalmente uma entidade se constitui para reunir os atores de determinados segmentos com propósitos comuns e demandas setoriais. Os fundadores se unem para defender interesses bem pontuais no debate maior da organização travado com o tecido social. O Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) não foi diferente embora tenha surgido sob o signo da participação maior na vida do Estado e da Região. Portanto, essa entidade não foi constituída para correr atrás de privilégios e sim de direitos, essencialmente aqueles que foram conferidos e permanecem no texto da Constituição do Brasil.

Em nossa homenagem anual a Mario Expedito Guerreiro, o empresário da agroindústria que pilotou a viagem histórica da fundação da entidade, assinalamos que Mário e seus parceiros guerreiros mobilizavam os empreendedores da indústria, tecelagem, serrarias, eletroeletrônicos, duas rodas, todo o espectro industrial e agroindustrial do Estado, para implantar, há quatro décadas, esta entidade aguerrida e de portas sempre abertas, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas.

Diversificação e adensamento

Há quarenta anos, o comércio de importados ainda era vibrante e, de quebra, atraía a classe média brasileira para conhecer e se envolver com a região, contemplando suas belezas, beldades, culinária e, sobretudo, as oportunidades. A amizade fraterna de  Mario Guerreiro com Edgar Monteiro de Paula foi decisiva para a criação de uma entidade diferente, que reuniu, entre seus fundadores, Moysés Israel e Moysés Sabbá, Fernando Bonfim, Mário Sussmann, Mário Moraes, Luiz e José Cruz, Daniel Feder, Mário Hauser, Otto Fleck, Afonso Hennel, Waldemiro Lustoza, Francisco Garcia Rodrigues, Abe Kryss, Marcílio Junqueira, José Moura Teixeira Lopes, Cristóvão Marques Pinto, José Milton Bandeira, entre outros guerreiros da conquista da prosperidade, sempre focados nos direitos oferecidos pela Lei.

Como avalistas mais arrojados para autorizar voos empreendedores mais altos, eles se recusaram a repetir os erros da Era da Borracha, que exportou matéria-prima sem atrair empreendedores que consolidassem a indústria local de artefatos de borracha. A par disso, pensaram Manaus como elo de criação com novas indústrias em lugar do extrativismo imediatista. Queriam aqui a Biotecnologia dos insumos florestais, a sustentabilidade de uma pecuária diferente, no corte e nos laticínios, que reunisse lavoura, economia e floresta, e ainda focasse bem de perto na exploração mineral.

Acertos e distorções

Passados quarenta anos, os pioneiros remanescentes, incluindo o fundador do Cieam, puderam conhecer e confirmar a economia do Amazonas que eles anteviram, sobretudo a pujança industrial da Zona Franca de Manaus, a despeito do descaso da União, que transformou nossos acertos em oportunidades de sugar a riqueza aqui gerada. Mas o roteiro não foi alterado nos primeiros 52 anos. Muitos acertos e muita distorção de propósitos, sobretudo na construção de uma imensa área alfandegada, o EIZOF, que fizesse de Manaus um entreposto comercial e de componentes em caráter Internacional.

Entre as direções estão o fracasso na economia do varejo, a ZFM comercial e no Distrito Agropecuário, que desenhou no papel a independência na produção de alimentos. Fracassou o projeto de fazer dessa área uma economia diversificada e regionalizada. Em muitos momentos, dada a gravidade das crises, a entidade sentiu-se isolada, com seu apelo solitário na direção de um protagonismo maior de quem fez o dever de casa.

Sozinhos não sobrevivemos

E aqui não nos referimos apenas ao papel do Cieam, pois temos consciência de que sozinhos não sobrevivemos nem iremos a lugar algum. Somos uma associação representativa da indústria mas só seremos atuantes se nos unirmos às demais entidades representativas na roda da economia, não apenas para defender os avanços da ZFM, resgatar seus direitos e fazer cumprir a Lei que lhe dá suporte. Vamos celebrar estes quarenta anos, como queria Mário Expedito Guerreiro, no baile compartilhado do batente, do chão de fábrica, ao balcão do varejo, na oficina tecnológica da tecelagem inovadora das serrarias do Manejo Florestal Sustentável, adensando cada vez mais o Polo eletroeletrônicos, duas rodas, enfim, todo o espectro industrial e agroindustrial do Estado, para configurar a visão de totalidade deste Centro da Indústria do Estado do Amazonas. Voltaremos. (*) Wilson é economista e presidente do Cieam

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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