Proposta: Plano Municipal de Infraestrutura Verde e Arborização Inteligente
Senhor Prefeito,
Manaus vive um momento decisivo. À nossa volta está a maior floresta tropical do planeta; dentro da cidade, porém, sentimos o agravamento do calor extremo, a expansão das ilhas de calor, a perda de sombra, a queda recorrente de árvores fragilizadas e a vulnerabilidade dos bairros mais adensados. A capital amazônica não pode mais conviver com políticas fragmentadas de arborização. É oportuno conferir à infraestrutura verde o mesmo status estratégico que se atribui às obras viárias, ao saneamento e ao transporte.
É nesse contexto que submeto à elevada apreciação de Vossa Excelência a proposta de um Plano Municipal de Infraestrutura Verde e Arborização Inteligente, com a ambição de reposicionar Manaus como referência nacional em gestão climática, manejo arbóreo, participação social e inovação pública.
Registro, desde já, uma premissa de forma e respeito institucional: esta carta tem natureza propositiva e colaborativa. Não pretende impor encaminhamentos, prazos ou obrigações à Administração Municipal, cuja autonomia, competências e planejamento respeito integralmente. Caso Vossa Excelência considere oportuno, coloco-me à disposição para apoiar a construção de um diálogo técnico interinstitucional — com a escuta das secretarias competentes e de parceiros acadêmicos e comunitários — visando amadurecer alternativas viáveis, calibradas à realidade de Manaus.
Este plano não nasce do improviso. Ele foi concebido a partir de evidências científicas, tecnologias emergentes e experiências pioneiras de outras cidades brasileiras, com apoio de ferramentas contemporâneas de análise de dados e inteligência artificial, sob curadoria técnica.
Nesse espírito, estendo igualmente o convite à SUFRAMA e ao Governo do Estado, para que participem desde o início desta construção, se assim for entendido como conveniente pela Prefeitura.
Temos a oportunidade de mostrar ao Brasil que a Amazônia sabe cooperar e pode adotar, no poder público, a lógica ancestral do mutirão dos nossos povos originários — o mutirão que soma energias, talentos e habilidades para enfrentar juntos desafios que, isoladamente, parecem intransponíveis. Manaus merece essa demonstração de unidade, visão e compromisso com o bem comum.
A proposta a seguir organiza-se em eixos estratégicos, combinando ciência, tecnologia e responsabilidade pública.
Governança e método de implementação (sugestão)
Constituir um Grupo de Trabalho de Infraestrutura Verde, com ponto focal designado pela Prefeitura, integrando secretarias diretamente envolvidas (meio ambiente, obras, mobilidade, defesa civil, saúde, educação e planejamento), além de apoio técnico de universidades e participação social organizada, para consolidar prioridades, integrar dados e coordenar projetos-piloto com metas mensuráveis.
Fases indicativas (a serem ajustadas pela Prefeitura):
1ª Fase (0–90 dias): projeto-piloto de inventário em áreas críticas + mapeamento inicial de risco + piloto de “rota de sombra”.
2ª Fase (90–180 dias): ampliação do inventário e protocolos de manejo + rede de viveiros comunitários.
3ª Fase (180–360 dias): consolidação do painel público de indicadores + proposta de marco legal e expansão dos corredores verdes.
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1. Inventário Digital Permanente da Arborização
Criar um mapeamento atualizado das árvores da cidade, com georreferenciamento, identificação de espécie, estado fitossanitário, risco estrutural, condicionantes de calçada e rede urbana, profundidade de raízes e histórico de manejo.
Tecnologias recomendadas: LiDAR, visão computacional, georradar, plataformas digitais de inventário arbóreo.
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2. Manejo Inteligente e Podas Baseadas em Engenharia
Adotar protocolos de poda orientados por critérios técnicos, com simulações estruturais e parâmetros biomecânicos, garantindo segurança, estabilidade e vitalidade das árvores, com rastreabilidade do serviço executado.
Solução sugerida: modelagem estrutural tridimensional (como a desenvolvida pela Treetronics), adaptada às espécies e às condições locais.
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3. Corredores Verdes e Rotas de Sombra
Estruturar redes de sombra que conectem escolas, unidades de saúde, terminais de ônibus e áreas de grande circulação, reduzindo estresse térmico e promovendo mobilidade climática segura.
Critério sugerido: priorização por mapas de ilhas de calor, densidade populacional e vulnerabilidade socioambiental.
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4. Viveiros Comunitários e Educação Ambiental
Implantar uma rede de viveiros em escolas, associações de bairro e centros comunitários, promovendo participação social, plantio colaborativo e fortalecimento de vínculos urbanos — com educação ambiental prática e permanente.
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5. Plataforma de Inteligência Climática
Integrar dados de satélite, sensores, históricos de acidentes, padrões meteorológicos e modelos preditivos para antecipar risco de queda, ventos extremos, enchentes e impactos térmicos.
Referências: Arbolink, UrbVerde e modelos de predição climática.
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6. Programa “Manaus Respira” – Plantio Massivo com Espécies Nativas
Estabelecer metas anuais de plantio com espécies nativas, priorizando copa ampla, adaptação ao regime de chuvas e à insolação da cidade, e compatibilidade com calçadas, drenagem e rede elétrica.
Referência indicativa (a ser calibrada tecnicamente): até 100 mil árvores/ano, condicionada à capacidade municipal de manutenção, irrigação, reposição e monitoramento, para assegurar sobrevivência e efetividade do plantio.
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7. Marco Legal da Infraestrutura Verde
Promover a atualização de diretrizes do Plano Diretor e avançar para uma Lei Municipal de Infraestrutura Verde, garantindo continuidade administrativa, prevenção de riscos e padronização técnica das práticas de manejo urbano.
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8. Auditoria Climática Permanente
Instituir um painel público de indicadores de temperatura, arborização, saúde urbana, áreas de risco e impacto social — com transparência e linguagem cidadã.
Transparência como instrumento de cidadania e controle.
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9. Sustentação financeira e parcerias (sugestão)
Mapear, no âmbito do GT, caminhos de financiamento e apoio técnico por meio de instrumentos existentes e parcerias, tais como: fundos e compensações ambientais, termos de ajustamento, editais de inovação, cooperação técnica com Estado e União, e parcerias com setor produtivo e instituições científicas, com governança e critérios de integridade.
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Mensagem Final
Senhor Prefeito,
Manaus precisa respirar — e pode fazê-lo com a inteligência da floresta que a cerca e com o rigor administrativo que a sua população merece.
O plano aqui proposto é mais do que uma agenda ambiental. É uma agenda de saúde pública, segurança urbana, redução de desigualdades e valorização da vida. Apresento-o como contribuição institucional de boa-fé, para eventual apreciação e amadurecimento pelas áreas técnicas da Prefeitura, no tempo e na forma que Vossa Excelência entender adequados.
Se houver convergência, coloco-me à disposição para estimular um diálogo interinstitucional que una ciência, tecnologia, participação social e planejamento, para que a infraestrutura verde ganhe escala, continuidade e resultados mensuráveis.
Com estima, responsabilidade institucional e espírito de cooperação,